Reino Unido avalia envio de tropas à Groenlândia para ajudar Trump em plano de dominação

Atualizado em 11 de janeiro de 2026 às 15:07
O primeiro-ministro britânico Kein Starmer o presidente americano Donald Trump. Reprodução

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, estuda a possibilidade de enviar tropas do Reino Unido à Groenlândia como parte de uma missão da Otan voltada ao reforço da presença militar no Ártico. A iniciativa ocorre em sintonia com a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem defendendo ações mais duras para conter a influência russa na região.

Trump intensificou recentemente declarações nas quais afirma que a Groenlândia é estratégica para a segurança americana e chegou a dizer que não descarta o uso de força militar para assumir o controle da ilha. Em conversa telefônica com o presidente americano, na quarta-feira, Starmer deixou claro que o futuro da Groenlândia deve ser decidido apenas por seus habitantes e pela Dinamarca, país ao qual o território está ligado.

Após esse contato, o premiê britânico iniciou uma rodada de articulações diplomáticas. Falou com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, voltou a dialogar com Trump no dia seguinte e, na sexta-feira, conversou com o chanceler alemão Friedrich Merz e com o presidente francês Emmanuel Macron.

Segundo Downing Street, as conversas trataram da necessidade de a Otan ampliar sua atuação no chamado Alto Norte, área que inclui a Groenlândia, diante da presença militar crescente da Rússia. O jornal The Telegraph informou que chefes militares já elaboram planos para uma possível missão da aliança na ilha, que possui status de território autônomo dentro do Reino da Dinamarca.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

Fontes do governo britânico afirmaram que Londres compartilha da avaliação de Washington sobre a necessidade de conter a postura russa no Ártico e fortalecer a segurança euro-atlântica. Reuniões recentes entre autoridades do Reino Unido, Alemanha e França teriam iniciado discussões práticas sobre esse cenário, embora qualquer decisão dependa de acordos dentro da Otan.

A proposta de uma força europeia na Groenlândia também foi discutida em um encontro de aliados da Otan em Bruxelas. As opções analisadas vão desde o envio direto de tropas até exercícios militares temporários, cooperação em inteligência e ajustes em investimentos em defesa, sempre sob coordenação da aliança.

A ministra britânica Heidi Alexander afirmou que há debates regulares entre os países da Otan sobre como conter Vladimir Putin no Ártico, região que, segundo ela, se tornou foco de disputas envolvendo também a China. Alexander citou o acordo de defesa assinado com a Noruega, que prevê operações conjuntas de navios de guerra, treinamentos militares e o posicionamento antecipado de equipamentos britânicos em território norueguês.

No campo político interno, a líder conservadora Kemi Badenoch evitou apoiar explicitamente o envio de tropas à Groenlândia, dizendo que é preciso esclarecer objetivos e custos de qualquer operação. Ela também demonstrou preocupação com a coesão da Otan e criticou a ideia de usar forças militares para lidar com disputas entre países da própria aliança.

Já o líder liberal-democrata, Ed Davey, defendeu abertamente que o Reino Unido ofereça tropas para uma missão conjunta da Otan, sob comando britânico e dinamarquês. Para ele, uma iniciativa multilateral seria a melhor resposta às declarações de Trump e ajudaria a preservar a unidade da aliança diante da Rússia.