Reino Unido considera pedir desculpas pela escravidão, mas rejeita reparações

Atualizado em 31 de outubro de 2026 às 16:53
Andy Burnham
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham. Foto: Sean Gallup/Reuters

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que seu governo considerará um pedido formal de desculpas pelo papel britânico no tráfico transatlântico de escravizados. A sinalização foi apresentada em artigo no jornal The Guardian neste sábado (31), antes de uma reunião de líderes da Commonwealth no Caribe, segundo o Estadão.

Burnham propôs abrir um diálogo estruturado com os povos afetados pela escravidão e ouvir os apelos dirigidos ao Estado britânico. O premiê afirmou que ignorar a demanda prejudica o funcionamento da Commonwealth, associação de 56 países independentes formada a partir das antigas relações com o Império Britânico.

A abertura para discutir desculpas veio acompanhada da manutenção da resistência a reparações financeiras. O primeiro-ministro sustentou que os britânicos de hoje não podem ser responsabilizados pessoalmente por crimes históricos cometidos em outra época, sob leis diferentes.

Como alternativa, Burnham disse que pretende enfrentar problemas atuais dos países da associação, entre eles o endividamento. A proposta é trabalhar com nações ricas e investidores para ampliar os prazos e reduzir os juros pagos por países vulneráveis. O ex-premiê Gordon Brown, defensor do alívio da dívida, também participará do encontro.

A cúpula ocorrerá em St. John’s, capital de Antígua e Barbuda, de domingo a quarta-feira. A viagem do rei Charles III ao Caribe já foi marcada por cobranças para que o Reino Unido reconheça sua responsabilidade histórica e ofereça reparações.

Em Nassau, nas Bahamas, Charles reconheceu o sofrimento e as injustiças do passado, mas não apresentou um pedido formal de desculpas. Como monarca constitucional, suas manifestações refletem a posição do governo eleito, que até agora evitava dar esse passo.

O debate também ganhou espaço dentro do Reino Unido. Em 2020, manifestantes antirracistas em Bristol derrubaram a estátua de Edward Colston, comerciante ligado à Royal African Company e ao transporte de pessoas escravizadas para as Américas. Descendentes de beneficiários do tráfico também já apresentaram desculpas e iniciativas de reparação.

Os governos britânicos costumam enfatizar a proibição do tráfico em 1807 e a abolição da escravidão no Império em 1833. Burnham afirmou que o país precisa reconhecer também sua participação no comércio de vidas humanas e expressou pesar pelo sofrimento de milhões de pessoas. A discussão anunciada ainda não equivale a um pedido formal de desculpas do Estado.

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