
O governo do Reino Unido acusou o Irã, nesta quinta-feira (2), de “manter a economia mundial como refém” em meio à crise no Estreito de Ormuz. A declaração ocorreu durante reunião virtual com diplomatas de mais de 40 países para discutir alternativas de reabertura da rota marítima, considerada essencial para o transporte global de petróleo.
Os Estados Unidos não participaram do encontro. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que a segurança da via não é responsabilidade americana. O líder também criticou aliados europeus pela falta de apoio à guerra e voltou a ameaçar retirar o país da OTAN.
A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que a reunião mostra “a força da determinação internacional” para reabrir o estreito por meios diplomáticos. Segundo ela, o Irã “sequestrou uma rota internacional de navegação” e provocou alta “insustentável” nos preços do petróleo e dos alimentos.
O tráfego no Estreito de Ormuz foi drasticamente reduzido após ataques atribuídos ao Irã. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques diretos a navios comerciais, com 11 tripulantes mortos, segundo dados da Lloyd’s List Intelligence.

A circulação de petroleiros caiu a níveis mínimos. As embarcações que ainda cruzam a região, em grande parte, tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano. Segundo a empresa, o Irã mantém controle rigoroso sobre o fluxo de navios na área.
Em discurso na quarta-feira (1º), Trump afirmou que países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”, sinalizando que os Estados Unidos não pretendem intervir diretamente no curto prazo.
Até o momento, nenhum país indicou disposição para reabrir o estreito por via militar enquanto os confrontos seguem. O Irã possui capacidade de atingir embarcações com mísseis antinavio, drones, minas marítimas e barcos de ataque.
Mais de 30 países, incluindo França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Emirados Árabes Unidos, assinaram uma declaração exigindo que o Irã interrompa o bloqueio e se comprometeram a contribuir para garantir a passagem segura.
Segundo Cooper, também foram discutidas medidas para proteger cerca de 20 mil marinheiros em aproximadamente 2 mil navios impactados pela crise, além de ações diplomáticas para restabelecer a navegação.