
O Reino Unido decidiu bloquear o uso de duas bases aéreas estratégicas para um eventual ataque dos Estados Unidos ao Irã, segundo o jornal britânico Times. A medida motivou ataques públicos de Donald Trump ao primeiro-ministro Keir Starmer, em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio.
O impasse envolve principalmente a base de Diego Garcia, no oceano Índico, e a base de Fairford, na Inglaterra, ambas tradicionalmente utilizadas por forças americanas em operações estratégicas.
“O primeiro-ministro Starmer está perdendo o controle desta importante ilha [Chagos] por causa de reivindicações de entidades nunca antes conhecidas”, disse o republicano. Londres teme questionamentos internacionais sobre a legalidade de uma ofensiva sem respaldo do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Apesar do veto britânico, a mobilização americana na região já é considerada a maior desde a invasão do Iraque. Nesta semana, mais de 120 aeronaves de combate e apoio foram enviadas ao Oriente Médio, além de um segundo grupo de porta-aviões liderado pelo USS Gerald R. Ford.

Em ofensiva anterior, bombardeiros B-2 decolaram diretamente dos EUA rumo ao Irã, com reabastecimento em voo e escolta de caças F-22 e F-35. A operação atingiu instalações nucleares, mas não encerrou o programa iraniano.
Além de atingir estruturas nucleares, uma nova ação teria como objetivo enfraquecer a Guarda Revolucionária, principal força militar do regime iraniano. Trump ainda não deu nenhum sinal de que pretende invadir o Irã por terra.
O risco de retaliação também preocupa aliados de Washington, especialmente Israel e países do Golfo. Uma escalada poderia afetar o estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, além de envolver atores como Rússia e China, que ampliaram sua presença naval na região.