
As Forças Armadas do Brasil e dos Estados Unidos mantém reuniões e contatos regulares apesar da crise entre os governos dos dois países. Integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica seguem com agendas bilaterais com representantes de suas áreas nos Estados Unidos, sem alteração de rota.
Os contatos envolvem as cúpulas militares dos dois países e não registraram estremecimento até agora, de acordo com informações do Globo. A preservação dessas agendas diferencia a relação institucional entre os militares das tensões que atingem outras áreas da relação bilateral.
Há poucos meses, o comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, viajou a Washington para compromissos com militares estadunidenses. Integrantes das Forças Armadas afirmaram que ele foi “muito bem recebido”.
No segundo semestre, o Brasil deve receber o general Joseph A. Ryan, comandante-geral do Comando do Hemisfério Ocidental do Exército dos Estados Unidos. A visita integra a continuidade dos encontros entre as duas estruturas militares.

Forças Armadas veem baixa chance de ação terrestre dos Estados Unidos no Brasil
A cúpula das Forças Armadas considera improvável que os Estados Unidos realizem operações terrestres no Brasil contra narcotraficantes, mesmo após Washington anunciar planos de ampliar ações na América Latina. Militares brasileiros que conversam com autoridades estadunidenses não esperam uma ação direta em território nacional.
Na avaliação desses integrantes, qualquer intervenção dos Estados Unidos dependeria da cooperação das instituições brasileiras. O Exército teria participação decisiva em um eventual cenário desse tipo por manter presença em áreas de fronteira terrestre.
O Brasil compartilha quase 17 mil quilômetros de fronteira com dez países da América do Sul. A extensão da área e as diferentes condições geográficas elevam a complexidade de uma operação terrestre voltada ao combate ao tráfico de drogas.
Militares também avaliam que os Estados Unidos identificam o Brasil como consumidor e importante entreposto comercial de drogas, e não como grande produtor. O debate ganhou força depois de o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, dizer no Panamá que o país pretende atacar narcotraficantes “em terra” na América Latina; até agora, Washington não anunciou uma operação específica em solo brasileiro.