Relatório da Economist distribuído a grandes bancos diz que Brasil tem “alto risco operacional”

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia no Palácio do Planalto Foto: Evaristo Sá/AFP

Um relatório anual da revista The Economist distribuído aos bancos coloca o Brasil numa posição de “alto risco operacional” em meio à pandemia da Covid-19.

O documento alerta sobre o que pode acontecer na América Latina após o coronavírus: “Haverá ‘cicatrizes’ econômicas de investimentos e perdas de capital, além de grandes mudanças setoriais, à medida que alguns setores avançam enquanto outros lutam para se manter.”

Essas crises às vésperas das eleições podem provocar uma onda de mudança. “Em um grande ano eleitoral para a América Latina, os riscos políticos já estão se tornando evidentes. O risco político é alto à medida que os eleitores protestam contra os governantes e pedem mudanças, dando espaço para que as propostas populistas prosperem”, diz a Economist.

Segundo a revista, um dos maiores fatores de risco para o continente é a baixa eficácia dos governos federais no combate ao vírus. No caso do Brasil, Jair Bolsonaro é citado nominalmente e acusado de “enfraquecer as instituições democráticas”.

O risco econômico no Brasil é um dos maiores entre os países da América Latina, sobretudo por conta da falta de auxílio para a população de baixa renda: “As medidas de apoio estão em processo de retirada e há um risco significativo de uma deterioração muito maior da qualidade dos ativos na região do que qualquer aumento significativo nos empréstimos as taxas iriam exacerbar.”

O Brasil aparece nas três primeiras posições, ao lado de Argentina e Venezuela, nos índices de risco “macroeconômico” e de “comércio exterior e pagamentos”.

As sanções impostas por EUA e União Europeia graças à gestão negligente do governo brasileiro para conter as queimadas na Amazônia estão entre os principais motivos.

A ascensão de líderes populistas sugere que há também um alto risco em relação à política econômica dos países latino-americanos.

De acordo com o relatório, “a pressão fiscal crescente, as demandas pós-pandêmicas por um papel maior do estado em muitos setores-chave e um aumento de atores políticos populistas sugerem que há um aumento dos riscos de política para os negócios, além dos riscos macroeconômicos”.

No índice de “risco para o mercado de trabalho”, o Brasil é o terceiro, e no de “política tributária” é o segundo, atrás apenas da Venezuela.

Isso ocorre principalmente porque “concessões/privatizações de infraestrutura enfrentam longos atrasos ou são totalmente abandonadas” pelo governo Bolsonaro.

Confira o relatório da Economist na íntegra:

 

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