Relatório da escala 6×1 garante duas folgas, mas domingo não será obrigatório

Atualizado em 25 de maio de 2026 às 22:59
Hugo Motta prometeu que vai adiantar tramitação do projeto pelo fim da escala 6x1
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-P) e o presidente Lula. Foto; Brenno Carvalho/Agência O Globo

O relatório da PEC que acaba com a escala 6×1 prevê que uma das duas folgas semanais dos trabalhadores seja preferencialmente aos domingos, mas não obrigatória. O texto do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) estabelece dois dias de descanso semanal remunerado, mas deixa a organização da escala para acordos e convenções coletivas.

A proposta prevê uma transição em duas etapas. Após 60 dias da promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Depois de 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas por semana, sem redução nominal ou proporcional de salário.

Empresas e categorias terão 60 dias para negociar novos acordos coletivos. Passado esse prazo, convenções que prevejam jornadas superiores a 42 horas semanais perderão validade. Segundo o presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), quem não fizer acordo terá de garantir dois dias de folga e respeitar o limite de 42 horas.

O relatório também permite regimes de compensação por acordo ou convenção coletiva, desde que respeitados dois dias de descanso semanal na média mensal e ao menos uma folga por semana. Isso abre espaço, por exemplo, para uma semana com seis dias de trabalho, compensada por folgas extras em outro período.

Ilustrativa
O fim da escala 6×1 é um dos principais debates neste ano eleitoral. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Há exceções previstas para contratos públicos. Funcionários de empresas contratadas por governos municipais, estaduais e federal não serão enquadrados imediatamente nas novas regras. Nesses casos, a redução de jornada passará a valer quando houver aditamento contratual, no prazo máximo de 12 meses.

O texto também cria uma regra específica para trabalhadores com diploma de nível superior e salário acima de duas vezes e meia o teto do INSS, o equivalente a R$ 21.188,87 neste ano. Eles continuarão sujeitos ao limite de 42 horas e, depois, 40 horas semanais, mas poderão ficar sem controle de jornada, salvo previsão em acordo ou convenção coletiva.

O relatório deve ser votado na comissão especial e a expectativa é que a PEC chegue ao plenário da Câmara nesta quinta-feira (28). Empresários tentam levar a negociação para o Senado, onde devem procurar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para buscar mudanças como uma transição mais longa.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.