
O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre uma investigação conectada ao “escândalo da Ceperj” foi concluído justamente quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avançou para julgar ações que podem resultar na cassação de Cláudio Castro e de Rodrigo Bacellar — e isso “pode complicar ainda mais” a situação do governador no tribunal, conforme informações do colunista Lauro Jardim, do Globo.
A presidente do TSE, Cármen Lúcia, pautou para 10 de março o julgamento desses processos, que tratam do caso em que cabos eleitorais foram pagos com dinheiro público.
O relatório da PF diz respeito a um inquérito sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, que apura vazamento de informações sigilosas que teriam favorecido o Comando Vermelho. Nesse caso, os suspeitos são Rodrigo Bacellar e o desembargador Macário Judice Neto, ambos presos no fim do ano passado.
O documento, que já está com Moraes e com a defesa dos acusados, reúne informações extraídas do celular de Bacellar e de computadores apreendidos na operação que resultou na prisão do presidente afastado da Assembleia Legislativa fluminense.

Planilha apreendida e menção a “cargos para compensar Ceperj”
No computador do então chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões Junior, a PF encontrou uma planilha eletrônica intitulada “Pedidos em 12/04/23”, “na qual haviam duas abas que listam os pleitos de deputados estaduais por concessões na estrutura administrativa e política do estado do Rio de Janeiro”.
Uma das abas, segundo o texto, traz o nome do deputado (com Rodrigo Amorim citado como exemplo), os postos que ele já nomeia no governo do Rio de Janeiro (“20 cargos na Alerj, Detran Ilha do Governador e vagas de apadrinhados na Operação Lei Seca”) e o que ele está pedindo (mais três postos do Detran, mais vagas na Operação Lei Seca e “cargos para compensar Ceperj”).