
Mais de 250 pessoas no Reino Unido relataram à BBC efeitos colaterais graves associados a agonistas da dopamina, medicamentos prescritos para distúrbios do movimento como Parkinson e Síndrome das Pernas Inquietas (SPI). Os depoimentos envolvem casos de vício em jogos de azar, compulsão sexual e compras descontroladas. Pacientes afirmam que não foram devidamente alertados sobre o risco de comportamentos impulsivos.
Emma, uma das entrevistadas, disse ter perdido pelo menos £ 30 mil após desenvolver vício em jogos enquanto tomava Ropinirole, fabricado pela GSK. “Arruinou minha vida — vamos ficar endividados por Deus sabe quanto tempo para pagar isso”, afirmou. Ela só associou o comportamento ao medicamento após ler reportagem da BBC.
Os agonistas da dopamina atuam estimulando o sistema de recompensa do cérebro, o que pode desencadear impulsividade. Segundo dados citados pela reportagem, cerca de um em cada seis pacientes com Parkinson que usam esse tipo de remédio desenvolve algum comportamento compulsivo, classificado como “muito comum”. Ainda assim, pacientes relatam que as bulas descrevem os riscos de forma genérica.

Outros relatos incluem hipersexualidade, envolvimento com prostituição, endividamento, apropriação de dinheiro e até casos criminais. Um homem disse: “Acho que estou obcecado por sexo”, após iniciar o tratamento. Há também registros de ações judiciais fora do Reino Unido, incluindo decisão recente na Bélgica que absolveu um homem ao considerar que o medicamento influenciou seu comportamento.
A BBC revelou que a GSK teve conhecimento, em 2000, de um caso de pedofilia associado ao uso do Ropinirole. A farmacêutica afirma que informou o regulador britânico na época e que os efeitos colaterais estão claramente descritos nas advertências atuais. A MHRA, agência reguladora do Reino Unido, declarou que alterações nas bulas exigem avaliação completa das evidências disponíveis.
O presidente do Comitê de Saúde da Câmara dos Comuns pediu revisão dos alertas, e o governo classificou as descobertas como “extremamente preocupantes”. Organizações de apoio recomendam que pacientes que apresentem comportamentos incomuns procurem orientação médica imediata.