
Uma fala de Renan Santos (Missão) durante um encontro com empresários promovido pela Amcham Brasil, em setembro, voltou a viralizar nas redes sociais. No vídeo, o então candidato à Presidência faz ataques a Flávio Bolsonaro (PL) e chega a dizer que despreza quem pretende votar no senador. A declaração reaparece enquanto Renan mantém distância tanto de Flávio quanto de Lula (PT) e afirma que não declarará voto nesta etapa da eleição.
“Eu sou brasileiro, só que país que a gente virou? Isso aqui virou uma desgraça”, afirmou Renan durante o evento. Na sequência, o dirigente do Missão acusou Flávio de envolvimento com o Comando Vermelho e direcionou a crítica também aos eleitores do candidato do PL.
“O Flávio Bolsonaro é envolvido com o Comando Vermelho. Vou avisar aqui, se tem alguém aqui que vai votar neste cara, não conte com o meu respeito. Conte com o meu mais absoluto desprezo”, declarou. Renan prosseguiu: “Uma pessoa que vota em um cara envolvido com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, quer ter opinião política? Sua opinião política e lixo é a mesma coisa”.
A associação feita por Renan é uma acusação política e não corresponde a uma conclusão judicial ou policial de que Flávio integre ou tenha relação direta com a facção.
Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral determinou a retirada de publicações que relacionavam o senador ao Comando Vermelho, afirmando não haver, nos conteúdos analisados, “qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica” que sustentasse esse vínculo.
🚨Renan Santos afirma que quem votar em Flávio Bolsonaro, que é envolvido com o Comando Vermelho, tem o seu absoluto DESPREZO. https://t.co/mRhKxy5ucq
— Central Reality (@centralreality) October 20, 2026
Renan já havia explicado anteriormente que sua acusação estava relacionada ao apoio político atribuído a Flávio a figuras como Rodrigo Bacellar e o ex-deputado TH Joias, alvos de investigações da Polícia Federal. Em agosto, ele afirmou que o senador apoiava os dois e utilizou essas relações para sustentar seus ataques ao adversário.
Na fala que voltou a circular, Renan também atribuiu o cenário político à tolerância dos brasileiros com comportamentos que considera inaceitáveis. “Nós estamos reféns dessas circunstâncias, da apatia, da falta de vontade, do amoralismo do brasileiro está levando a gente para o buraco”, afirmou.
Críticas continuaram após o primeiro turno
Derrotado na primeira etapa da eleição, Renan não mudou o tom contra Flávio. Em entrevista recente ao programa “Alt Tabet”, do Canal UOL, afirmou que considera maior o risco de concentração de poder em uma eventual vitória do candidato do PL do que em uma reeleição de Lula.
“Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio”, declarou.
Renan disse, porém, não acreditar que uma vitória do senador resulte em uma tentativa de golpe militar como a articulada após a eleição de 2022. Para ele, o perfil político do filho de Jair Bolsonaro seria outro. “A natureza do Flávio é acordo e roubo”, afirmou, novamente sem apresentar provas para a acusação.