
O Senado do Paraguai iniciou nesta quinta-feira (5) o julgamento político do presidente Santiago Peña, apesar do pedido de renúncia apresentado por ele horas antes.
O Congresso ainda não decidiu se aceita a saída. A sessão conjunta destinada a votar o pedido foi interrompida por falta de quórum, após parlamentares governistas deixarem o plenário, segundo o jornal paraguaio Última Hora. Com a votação inconclusa, Peña permanece na Presidência.
Na primeira etapa do julgamento, deputados apresentaram acusações e provas contra o presidente. A sessão será retomada na sexta-feira (6), às 10h no horário local, para a apresentação da defesa, segundo o g1. Peña afirmou que se apresentará para se defender.
Para destituí-lo, são necessários os votos de pelo menos 30 dos 45 senadores. Se condenado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo.
El Congreso Nacional de #Paraguay no logró aprobar la renuncia presentada por el presidente de la República, #SantiagoPeña, ya que la sesión conjunta entre senadores y diputados quedó sin quorum en plena votación, tras un largo e intenso debate.
Con esto, debe continuar el proceso de juicio político contra el mandatario en la Cámara de Senadores, recordando que el mismo ya fue aprobado por la Cámara de Diputados por mayoría absoluta de votos
— David de la Paz 戴维 (@daviddelapaz) November 5, 2026
A oposição defende a continuidade do processo porque avalia que a renúncia poderia garantir a Peña prerrogativas parlamentares. A Constituição paraguaia prevê uma cadeira de senador vitalício para ex-presidentes eleitos, exceto os condenados em julgamento político.
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai anunciou o início do processo de resolução do Ueno Bank após identificar problemas de solvência. Naquele dia, o presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, também deixou o cargo.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista de uma holding ligada à instituição até março de 2025, e opositores o acusam de conflito de interesses.
Na quarta-feira (4), 35 deputados da oposição apresentaram o pedido de impeachment. No dia seguinte, a Câmara dos Deputados aprovou a acusação por 78 votos, enquanto Peña anunciava a renúncia. Em pronunciamento, ele afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade do país.