
Ver Virginia Fonseca presa poderia salvar o meu dia, e a vida daqueles que perderam tudo nas bets que ela divulgava.
Como se não bastasse, agora sua empresa é investigada pela Polícia Federal por receber mais de R$ 22 milhões em movimentações consideradas suspeitas. Nada disso foi noticiado pela Globo, que escolheu a influenciadora para ser sua “repórter especial” durante a Copa.
Ela não conseguiu aparecer namorando Vini Jr, mas deu seu jeito de aparecer de outras formas, após ser apadrinhada por Luciano Huck, o homem mais odiado do Brasil. Aparecer, para os influenciadores, significa muito dinheiro e quem sabe um vício egóico patético.
A Globo vai pagar R$ 40 mil pra uma criatura que não tem a menor ideia do que é ser uma repórter – nem uma rainha de bateria, nem empresária e nem nada do que costuma fazer a não ser divulgar bet e postar dancinha no Tiktok.

No Brasil, influenciadores podem fazer qualquer coisa sem preparo, sem instrução, sem qualidade, apenas valendo-se de uma fama sem mérito.
Enquanto jornalistas passam anos estudando, apurando e construindo carreira, o mercado parece cada vez mais disposto a trocar experiência por engajamento. A sensação é de que talento e formação se tornaram secundários diante do número de seguidores.
Jornalistas de verdade, e com toda razão, reclamam de seus salários ao vivo, num debate que seria cômico se não fosse trágico; o cachê de Virginia é várias vezes maior do que o salário de um repórter esportivo da Globo e de seu canal SporTV. Os profissionais recebem entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês.
Em uma cena que viralizou na sexta-feira (5), o repórter Cristiano Gomes, da afiliada da Globo em Santa Catarina, reclamou, em tom de brincadeira – mas com um fundo de verdade inconfundível – que seu salário desaparece rapidamente.
Como não? Da conta de Virginia, que nunca estudou absolutamente nada, certamente sobra o que deveriam estar ganhando repórteres de fato preparados, ainda mais em plena Copa do Mundo.
“Sextou. Não sei se vocês olharam na conta de vocês, mas o salário caiu, viu?! Graças a Deus! Mas, no meu caso, ele caiu e já saiu, de uma maneira muito mágica. Ele só foi… Mas tudo bem! Vamos que vamos!”, disse o jornalista, tomando cuidado pra não ser demitido, coitado.
No estúdio, o apresentador Douglas Márcio reagiu com bom humor e acrescentou: “O salário pingou e já saiu. Com o que sobrou, a gente sobrevive. E sem vale, né?! Aí não dá!”.
Ver essa foto no Instagram
Virginia Fonseca não serve nem pra influenciadora, uma profissão ridiculamente desnecessária, muito menos como repórter de um evento dessa magnitude.
O mais revoltante nisso tudo é o retrato que ela faz do Brasil contemporâneo.
De um lado, jornalistas, pesquisadores e profissionais que passam anos estudando para conquistar espaço; do outro, uma indústria da fama instantânea que transforma seguidores em credenciais e engajamento em autoridade.