Representantes dos EUA e do Irã vão ao Paquistão para negociações de paz

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 7:01
Vista aérea do Estreito de Ormuz. Foto: reprodução

Em meio a um cessar-fogo ainda considerado frágil, Estados Unidos e Irã se preparam para abrir nesta sexta-feira (10), em Islamabad, uma rodada de negociações que pode definir o futuro da guerra no Oriente Médio. A nova etapa diplomática foi articulada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, responsável por mediar a pausa de duas semanas nos combates anunciada na terça-feira (7).

Apesar da abertura formal do diálogo, o cenário segue marcado por violações da trégua, conflito de versões e impasses centrais que ainda afastam um acordo definitivo.

Sharif afirmou que as conversas entre Washington e Teerã começam na capital paquistanesa nesta sexta (10), mas a Casa Branca informou que sua delegação, chefiada pelo vice-presidente JD Vance, só chegará no sábado (11). Também integram a comitiva Steve Witkoff, enviado de Donald Trump para o Oriente Médio, e Jared Kushner, genro do presidente. O desencontro de datas reforça a percepção de improviso em uma negociação cercada de desconfiança desde o primeiro anúncio.

A trégua previa a suspensão, por duas semanas, dos ataques de Estados Unidos e Israel ao território iraniano, enquanto o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz. Na prática, porém, o acordo já nasceu sob pressão.

Na manhã de quarta-feira (8), foram registrados ataques dos dois lados, e o Irã voltou a fechar Ormuz depois de um violento bombardeio israelense ao Líbano, onde atua o Hezbollah, aliado de Teerã. Israel alegou que o front libanês não faz parte do cessar-fogo, posição que contradiz o entendimento do Paquistão e do próprio governo iraniano.

O ataque de hoje ao Líbano deixou 254 mortos, e um total de 830 feridos. O ataque durou 10 minutos, e foram lançados ao todo 160 bombas. Foto: Adnan Abidi/Reuters

O Líbano afirma que esse ataque matou mais de 250 pessoas, em sua maioria civis, no bombardeio mais letal já sofrido pelo país em um único dia. O tema virou um dos principais focos de atrito antes mesmo do início formal das negociações.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que já autorizou o início de negociações de paz com o Líbano, incluindo o desarmamento do Hezbollah, mas esse canal deve correr separadamente, sob mediação dos Estados Unidos.

Outro ponto crítico envolve o Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse na quinta-feira (9) que a passagem está aberta, mas com restrições e sob coordenação da Guarda Revolucionária. Ainda assim, pouquíssimos navios receberam autorização para atravessar, o que manteve o bloqueio de fato da rota. Trump acusou Teerã de descumprir o acordo e ameaçou: “Rapidamente veremos o petróleo voltar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã”.

No centro da negociação também está o programa nuclear iraniano. Um dos dez pontos apresentados por Teerã prevê a manutenção do enriquecimento de urânio.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirma que Washington aceitou esse item, mas Trump nega e declarou: “Não haverá enriquecimento de urânio, e os Estados Unidos, em cooperação com o Irã, irão escavar e remover todo o ‘material nuclear’ profundamente enterrado (bombardeiros B-2). Isso agora, e desde o ataque, está sob vigilância por satélite extremamente rigorosa”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.