Republicanos se rebelam e Câmara aprova freio a Trump na guerra contra o Irã

Atualizado em 3 de junho de 2026 às 22:16
Câmara Irã
O Capitólio, edifício que abriga a câmara e o senado dos Estados Unidos. Foto: Divulgação

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira (3) uma resolução para limitar os poderes de Donald Trump na guerra contra o Irã. O texto busca impedir novas ações militares sem autorização do Congresso e ainda precisa passar pelo Senado.

A proposta foi aprovada por 215 votos a 208. Quatro deputados republicanos se juntaram aos democratas e votaram contra a orientação da Casa Branca, em uma demonstração de desconforto dentro do próprio partido de Trump com a continuidade do conflito.

Na prática, a resolução tenta obrigar o presidente estadunidense a buscar aval parlamentar antes de manter ou retomar ataques contra o Irã. O movimento reacende a disputa sobre os limites constitucionais do poder de guerra do presidente e o papel do Congresso em decisões militares.

No mês passado, o Senado aprovou uma medida semelhante para pressionar Trump a encerrar operações militares no Oriente Médio. O texto, porém, não avançou até a votação final e segue travado no Congresso.

Trump e o Pentágono anunciaram a retirada de tropas estadunidenses da Alemanha.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto do secretário de guerra e chefe do Pentágono, Pete Hegserth. Foto: Andrea Hanks/Casa Branca

A nova ofensiva da Câmara usa uma manobra regimental que força a análise do texto em até duas semanas e meia. Mesmo assim, o caminho no Senado ainda é incerto, porque os republicanos controlam a Casa e parte da bancada teria de romper novamente com o governo.

A Casa Branca afirma que tentativas de restringir os poderes do presidente para conduzir ações militares são inconstitucionais. A expectativa, caso o Congresso aprove a resolução, é que Trump tente derrubar a medida na Justiça.

A resistência no Congresso ocorre em meio ao desgaste político da guerra. Parlamentares republicanos demonstram preocupação com a impopularidade do conflito, a alta dos combustíveis e o impacto eleitoral da ofensiva nas disputas de novembro, quando serão renovadas quase todas as cadeiras da Câmara e parte do Senado.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.