Resort de luxo: Os negócios entre a família de Toffoli e o pastor Zettel, cunhado de Vorcaro

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 7:24
Fabiano Zettel, Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

A relação empresarial entre o pastor e empresário Fabiano Zettel e a família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou ao centro das atenções após documentos mostrarem como fundos de investimento administrados pela Reag foram usados para adquirir parte do resort Tayayá, no interior do Paraná.

Segundo registros financeiros analisados pelo Estadão, Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o único cotista do fundo Leal entre 2021 e 2025. Esse fundo, por sua vez, detinha 100% das cotas do fundo Arleen, que realizou os aportes no empreendimento administrado pelos parentes do ministro.

A operação envolveu R$ 20 milhões, valor que circulou dos aportes de Zettel aos fundos da Reag e, posteriormente, ao Tayayá Administração e Participações e à DGEP Empreendimentos, ambas controladas pelo primo e pelos irmãos de Toffoli.

Segundo os documentos, o Arleen comprou metade da participação societária dos familiares, avaliada à época em R$ 6,6 milhões. O fundo e a família permaneceram como sócios do resort até 2025, quando venderam suas cotas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, atual dono do empreendimento.

A movimentação ganha relevância porque Toffoli é o relator do inquérito do caso Master no STF, investigação que envolve a mesma gestora de fundos. O ministro assumiu o caso após acolher pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse analisado pela Suprema Corte. Zettel chegou a ser preso e liberado no mesmo dia durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.

O estatuto dos fundos revela que o Arleen foi criado em 2021 com prazo de vinte anos e administrado pela Reag. No entanto, auditorias entregues à CVM mostram que não foi possível emitir opinião sobre suas demonstrações financeiras, devido à ausência de documentos essenciais, incluindo os relacionados ao próprio Tayayá.

O Tayayá Aquaparque, resort de luxo em Ribeirão Claro (PR). Foto: reprodução

O fundo Leal também não apresentou comprovações completas de seus ativos. A situação se agravou após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que apura indícios de uso de estruturas da Reag para lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Em novembro de 2025, o fundo Arleen foi liquidado por decisão de assembleia.

A teia financeira se estende para outros negócios. Informações enviadas à CVM indicam que o Leal era o único cotista de fundos que investiram em empresas ligadas a Vorcaro, incluindo uma companhia de tecnologia com sede em Belo Horizonte administrada por Zettel antes de ser adquirida pelo ex-banqueiro, além de um conglomerado do setor de turismo associado ao grupo do Master.

A defesa de Vorcaro nega qualquer vínculo com essas transações. “Não tem qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos”, afirma. Segundo a nota, o ex-banqueiro “nunca foi cotista ou participou de sua gestão” e não teve “informação ou participação em negócios relacionados ao resort ou quaisquer outros investimentos realizados por esses veículos”. A defesa sustenta que as companhias mencionadas eram apenas clientes do Master que receberam investimentos de sua holding.

A trajetória dos familiares de Toffoli também chama atenção pela diversidade. José Carlos, padre em Marília, e José Eugênio, engenheiro que atuou na Queiroz Galvão entre 2008 e 2015, administravam parte das empresas que compõem o Tayayá. Nenhum dos irmãos comentou as informações. O ministro, embora assíduo frequentador, nunca integrou o quadro societário do resort.

A venda para Paulo Humberto Barbosa ocorreu meses antes de o Banco de Brasília (BRB) anunciar, em 28 de março de 2025, a compra do Banco Master, negócio que também é investigado pela PF.

Barbosa já havia atuado como advogado em causas tributárias da JBS e mantém sociedade com parentes dos irmãos Batista e executivos da Friboi. Em 2023, Toffoli havia suspendido o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência da J&F, controladora do grupo.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.