
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teria procurado o presidente Lula (PT), duas semanas antes da votação que rejeitou Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), para reclamar de uma suposta perseguição da Polícia Federal. Segundo relato feito a aliados, Alcolumbre pediu ajuda para se blindar de “injustiças” em investigações que envolvem ele e pessoas próximas.
De acordo com informações do Globo, a conversa ocorreu nos bastidores da posse de José Guimarães na Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do governo. Na ocasião, Alcolumbre teria dito a Lula que a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, viria com “muitas mentiras e injustiças” sobre ele.
De acordo com o relato, o presidente do Senado apelou para que Lula o ajudasse a ficar fora da colaboração premiada. Lula teria respondido que não tem como controlar delegados da PF, o Ministério Público Federal (MPF) e muito menos o Supremo. O petista também afirmou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem agido com responsabilidade para evitar injustiças.
Dias depois, Alcolumbre comandou a articulação que levou à derrota histórica do governo na votação de Messias ao STF. No Palácio do Planalto, aliados de Lula interpretaram o movimento como um revide, já que o presidente do Senado acompanhava de perto os bastidores da delação de Vorcaro e de outras investigações que poderiam atingi-lo.
Para chegar à Presidência do Senado, Alcolumbre foi apoiado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos líderes do Centrão, descrito por Vorcaro como “amigo do peito”, e alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (7). Antonio Rueda, presidente do União Brasil, também tem uma relação de proximidade com o banqueiro.

Além do caso Banco Master, Alcolumbre também estaria preocupado com a apuração sobre desvios no INSS e com os investimentos de R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras do Master. Interlocutores do senador admitem que ele está apreensivo com o avanço dos inquéritos, mas negam relação direta entre isso e a rejeição de Messias.
“Alcolumbre sabe o tamanho da bronca em que se meteu”, disse um interlocutor do presidente do Senado ouvido reservadamente pelo blog. “Ele é tão vingativo quanto o Lula e não dá pra saber onde isso vai parar. Mas o fato é que o Davi está com medo”.
Ao Globo, Alcolumbre afirmou, por meio da assessoria, que “jamais tratou do Banco Master” com Lula e “muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido”.
A nota diz ainda que “embora tentem, de forma recorrente, associá-lo ao assunto, Davi Alcolumbre não possui qualquer relação com o Banco Master e não é investigado, citado ou arrolado, sob nenhuma forma, em qualquer apuração relacionada ao caso”.
Movimentos recentes aumentaram a percepção de autodefesa no Senado. A gestão de Alcolumbre decretou sigilo de 100 anos sobre registros de entrada e saída do lobista conhecido como Careca do INSS e também se recusou a informar registros de visitas de Vorcaro à Casa. O senador ainda barrou a prorrogação da CPI do INSS e arquivou o pedido de instalação da CPI do Banco Master.