
Por Jeferson Miola, publicado no blog do autor
Nada será como antes depois da campanha memorável que reconduziu Lula ao Palácio do Planalto e salvou o Brasil do gangsterismo fascista e reacionário.
A mobilização impressionante que contagiou nosso país e o mundo inteiro liberou uma energia potente e transformadora.
Milhões de brasileiras e brasileiros –crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos– das cidades, das florestas, das aldeias, do campo e de todos os cantos ocuparam o território nacional, o ambiente digital e o imaginário social, com protagonismo autônomo em relação às estruturas políticas tradicionais.
Não foi “só” uma eleição. Protagonizamos uma batalha decisiva da guerra que, todavia, ainda está longe de acabar – a guerra que nossas gerações estão chamadas a travar em defesa da democracia e da soberania para deter o avanço da extrema-direita brasileira e internacional.
No discurso da vitória, Lula prometeu que seu quarto mandato será o melhor que qualquer outro da história. E com certeza ele conseguirá cumprir esse compromisso.
A garantia para isso é que o contexto do quarto mandato será diferente, porque desta vez Lula poderá contar com uma governabilidade ancorada na mobilização popular acumulada nas ruas e nas redes para contrarrestar as condições extremamente adversas do Congresso e as hostilidades da potência imperial com seus poderosos recursos, como as big techs.
O Brasil “Lulou”. Porto Alegre também “Lulou”! Na capital gaúcha, Lula fez 55,84% dos votos e venceu em oito das 10 zonas eleitorais – foi a 8ª capital com a maior votação proporcional pró-Lula.
Nos próximos dois anos até a eleição municipal de 2028 estaremos diante de pelo menos dois desafios principais.

O primeiro deles será o de preservar esse padrão de participação política intensa capaz de assegurar a governabilidade que permita ao governo Lula derrotar a extrema-direita e a tentação fascista e aplicar um plano avançado de mudanças e conquistas populares.
Combinado com essa prioridade, o segundo desafio será o de construir as condições para a retomada democrática e progressista da Prefeitura de Porto Alegre.
Essas duas dinâmicas –de sustentação popular do governo Lula e construção da alternativa democrática e popular para Porto Alegre– devem se combinar dialeticamente num processo que tenha como epicentro a energia política e social liberada no segundo turno.
Essa energia não pode ser dissipada. E tampouco fragmentada.
A definição da candidatura que representará o “espírito da retomada de Porto Alegre” deve ser o último estágio de um movimento plural de construção do programa de transformação, democratização e modernização da cidade desde a perspectiva da maioria do povo da cidade.
Por isso consideramos essencial criarmos urgentemente um espaço convergente –Mesa de Convergência– de diálogo e encontro dos nossos partidos, movimentos e organizações sociais, juventudes, mulheres, pessoas negras, ativismos e militâncias de pautas singulares, intelectuais, acadêmicos, cientistas, artistas …
Um espaço amplo, que consiga abarcar a “totalidade caleidoscópica” que protagonizou essa epopéia eleitoral.
Um espaço com legitimidade para animar o processo de escolha, no momento oportuno, e através de um método democrático que pode ser por meio de eleições primárias ou prévias interpartidárias, da candidatura com melhores condições de nos levar à retomada de Porto Alegre.