Réu do 8/1 fugiu para Argentina e trabalhou como fiscal do PL; entenda

Atualizado em 21 de outubro de 2026 às 12:40
Claudiomiro da Rosa Soares
Claudiomiro da Rosa Soares. Foto: Reprodução

A Polícia Federal informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que Claudiomiro da Rosa Soares, réu pelo ataque golpista de 8 de Janeiro de 2023, atuou como fiscal do PL nas eleições brasileiras realizadas na Argentina neste ano. O caminhoneiro de 52 anos rompeu a tornozeleira eletrônica e deixou o Brasil, segundo os investigadores.

Os agentes identificaram Claudiomiro dentro da Embaixada do Brasil em Buenos Aires. Ele estava credenciado pelo partido para fiscalizar a votação nas seções instaladas no Palácio Pereda, sede da representação diplomática brasileira na capital argentina.

Brasileiros residentes na Argentina votaram apenas para presidente no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A PF enviou o documento sigiloso a Moraes dois dias depois da votação; o ministro relata os processos relacionados aos ataques de 8 de Janeiro.

Claudiomiro deixou de ser monitorado em 6 de junho de 2024, quando sua tornozeleira parou de transmitir dados de localização. Ele morava em Balsas, no Maranhão, e investigadores avaliam que ele saiu do país naquele período.

Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução

Réu responde por cinco crimes no STF

As autoridades prenderam o caminhoneiro durante os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, mas ele recebeu liberdade sob medidas cautelares, entre elas o uso da tornozeleira. A acusação o responsabiliza pela invasão e pela depredação de prédios públicos.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República afirma que um policial judicial relatou ter visto Claudiomiro entrar no plenário do STF e destruir móveis. Ele responde a cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado, associação criminosa armada e destruição de patrimônio público.

Em depoimento na madrugada de 9 de janeiro, após os ataques, Claudiomiro negou ter danificado bens públicos. Ele disse que entrou na sede do Supremo para ajudar a apagar incêndios.

Em novembro do ano passado, Claudiomiro participou na Argentina de um protesto contra o ministro Gilmar Mendes, que estava em Buenos Aires para o Fórum de Buenos Aires. Outros foragidos também estiveram no ato, entre eles Symon Filipe de Castro Albino, que afirmou ser acusado injustamente por Moraes.

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