
Aliados de Lula avaliam que a reunião do presidente com Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, isolou o bolsonarismo no debate sobre a relação com os Estados Unidos. A leitura no PT é que Lula conseguiu se apresentar como chefe de Estado, mesmo após críticas recorrentes a Trump, e reforçou o discurso de soberania nacional diante de Washington.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou que Lula “reafirmou o papel soberano e respeitado do Brasil no cenário internacional”. Para ele, o país voltou a ter protagonismo nas grandes decisões internacionais após a visita a Washington.
O deputado federal Paulo Teixeira disse que a reunião deve ter efeito na política interna. Segundo ele, “a família Bolsonaro sempre trabalhou para ter monopólio da relação com o presidente dos Estados Unidos”, mas o encontro de Lula com Trump teria sido bem-sucedido pela segunda vez.
Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, tenta pressionar o governo estadunidense contra a gestão Lula. O ex-deputado é filho de Jair Bolsonaro e irmão de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL.

Éden Valadares, secretário de comunicação do PT, afirmou que Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para tentar “tramar contra o Brasil e a agenda dos presidentes Lula e Trump”. Segundo ele, o senador “ficou isolado, sem discurso e saiu ainda menor desse processo”.
A direita tentou minimizar o encontro. Interlocutores da oposição avaliaram que as manifestações de Trump foram secas e que a mudança do local da entrevista, sem presença do presidente dos Estados Unidos, indicaria que a reunião não foi tão positiva quanto relatado pelo governo brasileiro.
Antes da reunião, bolsonaristas divulgaram críticas antigas de Lula a Trump para tentar desgastar a agenda. Depois do encontro, porém, Flávio Bolsonaro e aliados próximos evitaram comentar publicamente o tema. Lula relatou progresso na estabilização da relação bilateral e que os dois governos devem manter conversas sobre tarifas.
A reunião tratou de crime organizado, tarifas, narcotráfico e relações comerciais. Lula afirmou após o encontro que a conversa foi “de igual para igual” e marcou “um passo importante” na consolidação da relação histórica entre Brasil e Estados Unidos.