
O advogado Walfrido Warde, sócio-fundador do escritório Warde Advogados, enviou nesta quinta-feira (5/2) uma notificação extrajudicial à revista piauí apontando imprecisões em uma reportagem publicada no dia anterior e solicitando a correção das informações. Segundo a defesa de Warde, as alegações da revista podem caracterizar o crime de calúnia.
A notificação diz respeito a um texto assinado pela jornalista Consuelo Dieguez. Um trecho da reportagem diz que “coisas esquisitas começaram a acontecer”, em referência a um pedido de acesso aos autos de um inquérito sobre o Banco Master, formulado em novembro do último ano por Warde e outros seis advogados que também representavam a instituição financeira.
No documento enviado à piauí, Warde explica que o pedido foi feito à época com base em notícias divulgadas pela imprensa, que relatavam a existência de um procedimento investigativo relacionado ao Master, em trâmite na 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Isso foi apontado pelos advogados na petição enviada àquela vara.
Segundo Warde, que já deixou a defesa do Master, a mais recente reportagem da piauí “imputa a prática de conduta típica consistente na obtenção de informação privilegiada e indevida, cuja atribuição configura ilícito penal”.
“Ao sugerir que o advogado teria tido acesso prévio a procedimento sigiloso ou a dados não disponíveis ao público, a narrativa publicada ultrapassa os limites do relato jornalístico e projeta sobre o profissional imputação gravíssima, desprovida de qualquer lastro fático, incompatível com o exercício ético e regular da advocacia”, completa.

Embora sete advogados tenham assinado aquela petição, Warde ressalta que a revista optou por “singularizar a atuação e associá-la apenas a um dos subscritores”. De acordo com ele, isso “contribui para a construção de imputação pessoalizada, descolada da realidade objetiva da atuação profissional efetivamente desempenhada”.
O advogado é representado por Marco Antonio Marques da Silva, Arnaldo Hossepian Junior, Leandro Daiello Coimbra e Fernando Hideo Lacerda.
Correção posterior
Após a publicação desta notícia, a revista piauí atualizou a reportagem em seu site para corrigir um erro no trecho sobre o momento em que Warde e os demais advogados do Master pediram acesso ao inquérito.
“Neste trecho, a reportagem original foi alterada para refletir uma correção. Os advogados de Vorcaro só entraram com pedido de acesso ao inquérito sigiloso depois que saiu a notícia informando em qual Vara o assunto tramitava. Não procede, portanto, a suspeita de que poderiam ter recebido algum tipo de informação privilegiada sobre a tramitação judicial do caso”, diz a nota de correção.