
O jurista Pedro Serrano publicou nesta quinta-feira (5) uma crítica ao tratamento dado ao caso do Banco Master nas redes sociais. No texto, ele afirmou que o episódio apresenta características semelhantes às práticas adotadas durante a operação “Lava Jato”.
Serrano escreveu: “Infelizmente estamos vendo um ‘revival’ dos métodos da lava jato nesse nesse caso do Master , onde a investigação consistente é substituída pela espetáculo, pelos rumores no lugar de fatos, onde o vazamento criminoso e seletivo de sigilos legais serve a satisfazer afetos primitivos de ataques a profissões essenciais a democracia”.
Na mesma publicação, o jurista afirmou que profissionais ligados ao sistema de Justiça e à imprensa estariam sendo atingidos pela divulgação de informações sigilosas. Segundo ele, “Advogados e jornalistas viram alvos de ataques, por parte de quem deveria curar do sigilo”.
Serrano acrescentou que “o criminoso não é quem é o objeto de informações sem relevo jurídico, mas quem vaza”. A declaração foi feita após a divulgação pública de mensagens e documentos relacionados à investigação envolvendo o Banco Master.
A investigação que envolve a instituição financeira é conduzida pela Polícia Federal no âmbito da operação “Compliance Zero”. O foco das apurações envolve suspeitas de irregularidades em operações financeiras, relações com agentes públicos e possíveis tentativas de interferência em investigações. Durante as fases da operação, foram cumpridos mandados de busca e prisões relacionadas ao caso.
Entre os investigados está o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao controle do Banco Master. Ele foi preso durante uma das fases da operação e permanece à disposição da Justiça. A investigação também reuniu mensagens e documentos que passaram a circular publicamente após serem anexados a procedimentos oficiais e encaminhados a instâncias de apuração no Congresso Nacional.
Infelizmente estamos vendo um “revival” dos métodos da lava jato nessa nesse caso do Master , onde a investigação consistente é substituída pela espetáculo, pelos rumores no lugar de fatos, onde o vazamento criminoso e seletivo de sigilos legais serve a satisfazer afetos…
— Pedro E. Serrano (@pedro_serrano1) March 6, 2026
Parte desse material inclui conversas privadas e registros de comunicação entre empresários, políticos e outras pessoas citadas nas apurações. Trechos dessas mensagens passaram a ser divulgados ao longo das últimas semanas, ampliando a repercussão pública do caso e motivando manifestações de juristas, parlamentares e advogados.
A CPI mista do INSS também recebeu documentos relacionados à investigação. O material foi encaminhado pela Polícia Federal para subsidiar a comissão parlamentar que analisa suspeitas de irregularidades envolvendo benefícios e instituições financeiras. Entre os itens enviados estão relatórios e registros de comunicações apreendidos durante as operações.
No comentário publicado nas redes sociais, Serrano afirmou ainda que vazamentos seletivos podem comprometer investigações. Ele escreveu: “Na prática isso só serve para proteger quem realmente cometeu crimes e destruir adversários ideológicos”. O jurista concluiu a manifestação com a expressão “Nojo!”.