‘RG10 é melhor do que Neymar’

Mas por não jogar no eixo Rio-São Paulo isso parece não importar.

Se jogasse no eixo Rio-São Paulo a história era outra
Se jogasse no eixo Rio-São Paulo a história era outra

Nosso colunista de futebol, Scott Moore, recebeu uma carta do músico e jornalista Saulo Wanderley. Decidimos compartilhar trechos dela com todos. SW se refere a um texto de Scott em que o inglês diz que a seleção brasileira deve se compor de Ronaldinho Gaúcho e mais dez, e tece o que julgamos ser importantes considerações sobre o futebol nacional. (Aqui, os melhores momentos de RG10 ontem no jogo contra a Bolívia.)

Dear Mr. Moore

Explico um pouco como funcionam as coisas da bola aqui em Terra Brasilis: o “país” foi descoberto – talvez já no sentido bancário – por um atravessador de oceanos chamado Cabral.

As aspas no “país” são por ainda não estar pronto. Temos ainda aqui um partido político cujo mascote é um pássaro bicudo chamado tucano, que rouba ovos no ninho alheio, como diz o  National Geographic.Desde Cabral proliferam por aqui todo tipo de atravessadores. Não é diferente no futebol. Os técnicos são atravessadores de craques, os comentaristas são ex-não-tão-craques atravessados como jornalistas, e a torcida atravessa todo tipo de obstáculo para ser enganada pelos atravessadores.

Em meio a tanta travessia ninguém se toca que RG10 é melhor do que Neymar, e que o melhor time do Brasil atualmente é o Atlético Mineiro, de onde o senhor pode tirar os outros 10 da seleção.

Acontece que o Atlético é mineiro, de Minas Gerais, um estado que não agrada aos atravessadores do chamado eixo Rio-SP, cuja filosofia se assemelha à do eixo da Segunda Guerra. Até minha mulher Marilia – que não é de Dirceu, muito menos do Zé Dirceu, e que é corinthiana —  concorda que o Galo está em grande fase.

Com tudo isso, Mr. Moore, não vai mudar nada. A menos que o Atlético Crazy Cok afogue o Ganso de 4 no Panetone (apelido do estádio dos Bambis, que são os animais-símbolo do São Paulo Futebol Clube, grande, redondo e cheio de frutinhas), e inicie um processo de defenestramento de cartolas do Eixo, distribuindo chocolate para times paulistas e cariocas.

Meu medo, Mr. Moore, é que os mineiros já tentaram esse tipo de Inconfidência no passado, e cabeças rolaram. Mas, segundo a torcida do Galo – na qual me incluo – quem “caiu no Horto, tá morto”. Espero que dessa vez as cabeças a rolar sejam dos cartolas, e não dos técnicos, muito menos dos jovens das torcidas latino-americanas, you know?

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