RJ: Bope transfere quatro policiais após chacina no Morro dos Prazeres

Atualizado em 19 de março de 2026 às 22:19
Agentes do Bope em favela do Rio. Foto: reprodução

O Bope determinou nesta quinta-feira (19) a transferência imediata de quatro policiais envolvidos na operação no Morro dos Prazeres, no Centro do Rio, que terminou com a morte de oito pessoas, entre elas o morador Leandro da Silva Sousa, dentro de casa, com um tiro de fuzil na nuca.

Os agentes foram afastados das atividades operacionais e passaram a atuar em funções administrativas enquanto as investigações seguem. A medida foi anunciada pela Secretaria de Estado de Polícia Militar após análise preliminar que apontou possível mau uso das câmeras corporais.

Segundo a corporação, imagens essenciais do momento da invasão não foram localizadas nos equipamentos, o que levantou questionamentos sobre a atuação dos policiais. A ausência das gravações ainda não foi explicada. “O afastamento busca assegurar a apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas que regulamentam a utilização dos equipamentos”, informou a PM em nota oficial.

O caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), que esteve na residência e solicitou imagens das câmeras corporais, além de dados da operação e informações da Corregedoria. Promotores e peritos acompanham os exames de necropsia para esclarecer as circunstâncias da morte de Leandro, que trabalhava como ajudante de cozinha e vivia há cerca de dez anos no Rio.

Leandro da Silva Sousa, morto durante ação do Bope no Rio. Foto: reprodução

A morte ocorreu na manhã de quarta-feira, quando a rotina do trabalhador foi interrompida dentro de casa, no Morro dos Prazeres. Segundo relatos da viúva, Roberta Ferro Hipólito, criminosos invadiram o imóvel e esconderam armas no quarto do casal antes da chegada da polícia. O que aconteceu em seguida é alvo de versões divergentes entre familiares e o comando da operação.

De acordo com o chefe de Leandro, Roberta relatou que não houve negociação antes da entrada dos policiais. “Ela disse que gritou aos policiais que tinham moradores na casa, mas não adiantou. Eles entraram já atirando. Leandro caiu sobre a Roberta, e ela sobre um dos traficantes. O Jiló, esse chefe que morreu, não estava lá, eram outros traficantes”, afirmou ao Extra.

O irmão da vítima, Ivanildo Sousa, também contestou a versão oficial. “Os bandidos quebraram a janela da casa do meu irmão, jogaram as armas debaixo da cama e pediram para ele e a Roberta ficarem quietos. Disseram que não iriam sair se a polícia pedisse, mas também não reagiriam se a polícia entrasse. Mas eu afirmo, não houve nenhuma negociação. O que eu ouvi, da minha casa, foi os agentes pedindo para os criminosos saírem, dizendo que estavam cercados. Depois, ele arrombaram a porta e mataram um por um, incluindo meu irmão. Não teve estratégia, nem paciência. Foram assassinatos brutais”.

Já o comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou que houve tentativa de negociação antes da ação. “A gente estava buscando solução pacífica, mas houve disparos de dentro da residência, e o senhor Leandro levou o primeiro PAF (perfuração de arma de fogo) na região da cabeça. Nossa tropa respondeu com fogo, onde houve a ação de neutralização dos criminosos. Conseguimos tirar a dona Roberta em segurança, em estado de choque”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.