Roberta Luchsinger, milionária que prometeu R$ 500 mil a Lula, filia-se ao PT e quer ser deputada. Por Zambarda

Roberta Luchsinger e Lula no Sindicato dos Metalúrgicos, antes da prisão. Foto: Reprodução/Instagram

A herdeira do ex-acionista do Credit Suisse Peter Paul Arnold Luchsinger, Roberta Luchsinger, saiu do PCdoB e agora está filiada ao PT. Ela solicitou filiação em março e formalizou a decisão entre os dias 6 e 7 de abril, enquanto ocorreu a prisão de Lula.

Roberta chegou a comparecer ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para prestar sua solidariedade pessoalmente ao ex-presidente. Em 2017, ela ganhou destaque na mídia ao prometer doar meio milhão de reais a Lula.

Com a ficha de filiação no Partido dos Trabalhadores, a milionária diz que deixou sua trajetória de projetos sociais com o PCdoB. Ela afirma que estava filiada ao partido comunista desde quando era casada com o ex-delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha, hoje exilado na Suíça.

Ela diz que sairá candidata a deputada com apoio de quadros do PT, como Arlindo Chinaglia, Zeca Dirceu, Marco Maia e outros.

O DCM fez uma entrevista com ela.

Ficha de filiação de Roberta Luchsinger. Foto: Reprodução

DCM: Você estava filiada pelo PCdoB e agora foi para o PT. Quem te deu a ideia para mudar de partido?

Roberta Luchsinger: O PCdoB é dos partidos que mais admiro e gosto. Foi parte da minha escola política. Um partido que tenho orgulho de ter feito parte, de ter podido contribuir de alguma forma. Minha ida para o PT foi devido ao meu apoio incondicional à defesa de Lula e por estar cansada dessa conversa fiada de que o PT é uma quadrilha.

Temos que dar um basta nisso. Cansou.

Essa história de tudo ser culpa do PT é ridícula. Chega de ficar ouvindo absurdos como “só tem bandido no PT” ou “o PT acabou”. Eu não sou bandida e estou no PT. O PT não acabou e, pelo contrário, ele está ficando mais forte apesar de toda essa perseguição absurda da Lava Jato.

A democracia está sendo aniquilada no país por uma operação que vem se mostrando desastrosa e cheia de erros. Uma operação que deixou de ser policial e tornou-se política. Estamos vivendo um retrocesso político devido a esse ódio instaurado no Brasil.

Dito isso: uma série de pessoas estão me apoiando nessa caminhada.

Cadastro de Roberta Luchsinger entre os filiados no site do PT. Foto: Reprodução

DCM: Quem está te apoiando? É verdade mesmo que você será candidata a deputada?

RL: O próprio PCdoB sempre quis que eu tivesse minha candidatura a deputada estadual, mas isso ganhou mais corpo mais no seio petista. A militância vem me apoiando, me ensinando muito através de trocas de ideias nas redes sociais.

Falando nos nomes, eu tenho apoio de deputados do PT como Arlindo Chinaglia, Zeca Dirceu, Marco Maia, José Américo e Cristiano Silveira. Eles são quadros não só em São Paulo, mas no Rio Grande do Sul, Paraná e em todo país.

Os meus apoiadores estão em todas as classes, principalmente nas classes que mais precisam de uma voz ativa na sociedade devido aos programas sociais que fiz em locais como a Brasilândia.

DCM: Você acha que, apesar do golpe, o PT tem boas chances eleitorais?

RL: Acredito que sim. Caso não tivesse, não estariam fazendo de tudo para destruir o PT ou para destruir Lula. A Constituição está sendo rasgada a fim de impedir Lula de ser candidato. Só pode ser desespero, né?

A oposição joga baixo se usando dos poderes conservadores que tomaram o país através de um golpe dada sua incapacidade de conquistar o povo brasileiro. Precisam impedir Lula custe o que custar. Nesse caso, está custando a democracia, a liberdade de um povo, da nossa nação.

DCM: Como foi seu encontro com o ex-presidente Lula em São Bernardo, antes da prisão?

RL: Foi um encontro rápido. Estive com ele rapidamente na sexta-feira dentro do Sindicato dos Metalúrgicos. Mas acredito que em breve estaremos juntos novamente com ele. Vamos trazer Lula de volta.

Estar com Lula é sempre positivo mesmo que numa situação conturbada como aquela. Ele nos passa força e coragem. E é isso que precisamos agora.

Lula é a palavra viva e a representação da força e da confiança. Preso ou solto, ele é o “cara”, que tem luz própria.

DCM: O que você achou dos atos em São Bernardo do Campo e da vigília em Curitiba?

RL: Atos absolutamente necessários. E positivos. Defender o que está acontecendo com Lula é atitude de pessoa sensata. Sabemos que o que está em jogo não é corrupção, muito menos o famoso triplex do Guarujá ou os pedalinhos do tal sítio.

Há todo um blábláblá de que Lula é o maior ladrão da história, o chefe da quadrilha, que é difícil de acreditar.

Não precisa ser petista ou gostar de Lula para ver o que está em jogo é a democracia. Os atos fazem parte da luta pela democracia. Temos que encher as ruas – sem violência – e defender os direitos que conquistamos até agora.

Participei de São Bernardo e irei participar de Curitiba. Defender a causa Lula hoje, é defender o Brasil das mãos dos golpistas.

DCM: A Veja São Paulo diz que você ainda não fez a doação de R$ 500 mil ao ex-presidente Lula. Outros veículos afirmam inclusive que você tem dívidas. A ajuda financeira ao ex-presidente acontecerá nesse momento difícil?

RL: A doação ainda não aconteceu porque fui impedida por um juiz de fazê-la. Mas isso está sendo resolvido e meus advogados estão cuidando disso.

Na minha opinião, o que importa é que minha voz continua ativa na política e não conseguiram me intimidar ou me calar. Pelo contrário, mais do que nunca estou do lado que escolhi, defendendo a causa que sempre acreditei e pela qual sempre batalhei.

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