Rogério Correia pede convocação de Campos Neto na CPMI do INSS

Atualizado em 1 de fevereiro de 2026 às 19:01
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, será alvo de um requerimento de convocação na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que apura fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O pedido será apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) com o fim do recesso, nesta semana.

Correia sustenta que, em outubro de 2021, durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central foi alertado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sobre o volume de reclamações envolvendo práticas abusivas na oferta e nos descontos de empréstimos consignados a aposentados do INSS.

No requerimento, o deputado cobra esclarecimentos sobre o “acesso aos bancos de dados cobertos por sigilo bancário dos beneficiários do INSS, bem como quanto às medidas de fiscalização e controle relativas às irregularidades denunciadas de práticas delitivas de instituições financeiras contra os aposentados e pensionistas”.

A iniciativa amplia a pressão sobre a gestão de Campos Neto no momento em que o TCU (Tribunal de Contas da União) faz uma inspeção nos documentos que embasaram a decisão do Banco Central de decretar a liquidação do banco Master. O pente-fino, segundo o parlamentar, alcançará a fiscalização do Master antes de 2024, com o objetivo de reconstruir e documentar a evolução do modelo de captação do banco e a existência de alertas e ações de supervisão do BC.

Correia afirma que o caso Master se conecta à gestão de recursos de fundos de pensão. De acordo com o Ministério da Previdência, regimes de previdência próprios de estados e municípios aportaram quase R$ 2 bilhões no banco.

“Cumpre esclarecer que as ações adotadas por Roberto Campos Neto, enquanto Presidente do Banco Central do Brasil, especialmente no que se refere aos alertas emitidos sobre a realização, pelo Banco Master, de investimentos considerados insustentáveis, podem ter contribuído para a eclosão e a manutenção da denominada Farra do INSS”, argumentou o deputado. Para ele, “tal circunstância reforça a necessidade de aprofundamento das investigações por esta Comissão, a fim de verificar eventuais omissões, falhas de supervisão ou insuficiência de medidas corretivas por parte da autoridade monetária”.

Campos Neto comandou o Banco Central a partir de 2019, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), e permaneceu no cargo até 2024, atravessando a primeira metade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele e Lula protagonizaram embates sobre a taxa básica de juros. Petistas atribuem a Campos Neto a alta da Selic, que chegou a 12,25%. Aliados do ex-presidente do BC, por sua vez, ressaltam que, sob a gestão de Gabriel Galípolo, indicado pelo petista, a taxa chegou a 15%.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.