A estratégia dos bolsonaristas para barrar reeleição de Alcolumbre

Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 17:33
Senador Rogério Marinho
Senador Rogério Marinho. Foto: Reprodução

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defenderá que senadores de direita divulguem publicamente seus votos na disputa pela presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A iniciativa busca dificultar apoios secretos à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com informações da Folha de S. Paulo.

“Vou defender. É difícil justificar em público o voto no Alcolumbre, né?”, disse Marinho. A eleição formal ocorre por voto secreto, e o atual presidente do Senado conta com o sigilo para atrair parlamentares de partidos alinhados à direita.

Os senadores do PL devem se reunir na quarta-feira (4) para definir a estratégia contra Alcolumbre e discutir o lançamento da candidatura de Marinho. A senadora Tereza Cristina (PP) também pretende disputar o comando da Casa.

Parte do PL defende uma negociação com Alcolumbre para preservar espaços na Mesa Diretora e nas comissões. Outro grupo quer enfrentar o presidente do Senado com o argumento de que a direita terá votos suficientes para vencê-lo.

Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

A oposição calcula reunir 29 senadores do PL e três do Novo. Republicanos, PP, Podemos e PSDB terão mais 15 parlamentares, em sua maioria eleitos com apoio bolsonarista, formando uma base de direita majoritária no Senado.

Para eleger o presidente, um candidato precisa de pelo menos 41 dos 81 votos. Alcolumbre e Marinho afirmam ter 48 apoios cada, uma contagem que indica a existência de senadores considerados pelos dois lados.

A proposta de exposição dos votos retoma uma estratégia usada pelo próprio Alcolumbre em 2019, quando ele buscou derrotar Renan Calheiros (MDB-AL) com apoio de Jair Bolsonaro. O STF derrubou a tentativa de instituir voto aberto, mas parlamentares declararam voluntariamente suas escolhas e exibiram as cédulas antes de depositá-las na urna.

Bolsonaristas criticam Alcolumbre por resistir à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF e por ter reduzido as articulações por anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de Janeiro. Em 2025, o PL apoiou o senador do União Brasil em troca de postos na estrutura da Casa, incluindo a vice-presidência do Senado.

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