Rosângela Moro faz uma patética retrospectiva dos dias de glória do marido. Por Joaquim Carvalho

Fotos postadas pela retrospectiva de Rosângela Moro

A advogada Rosângela Wolff Moro anunciou em vídeo que a página Eu Moro com Ele, mantida no Facebook por ela para idolatrar seu marido, juiz federal, sairia do ar. Só que não. Ela continuou a postar mensagens e agora tem feito uma retrospectiva dos melhores momentos da página.

É patético.

Rosângela postou fotos de pote de geléia enviado por uma admiradora do juiz, livros, lembranças variadas, como camisetas, bonés, uma espada de samurai, troféus, quadros com a imagem dos dois. Rosângela postou também fotos de artistas que deram o apoio a ele e posts positivos de sites a respeito do marido, como o Antagonista (“Orgulho brasileiro”).

Tudo sob a rubrica “Retrospectiva da página”.

A despedida foi anunciada  em 30 de novembro, no mesmo dia em que Rodrigo Tacla Durán prestou depoimento à CPI da JBS. Talvez Rosângela esperasse gigantescas manifestações de apoio.

Mas só vieram os apoio dos de sempre: foram cerca de 25 mil curtidas, pouco numa página dedicada a um servidor público que foi apontado pela Time, no inicio de 2016, na época mais intensa da articulação golpista, como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

A retrospectiva da página de Rosângela parece o suspiro de quem viu os dias de glória ficarem para trás e vê no horizonte nuvens carregadas da tempestade que se aproxima. Foi bom, não foi, Dra. Rosângela?

Moro (e por consequência Rosângela) teve mais do que 15 minutos de fama, foi o epicentro de um movimento que será visto pela história como o maior ataque à democracia brasileira. Nos dias da suposta glória, portou-se como um imperador na volta para Roma depois das conquistas, na cerimônia conhecida como Triumphus Romanus.

Na cerimônia, o homenageado era acompanhado em sua carruagem por um subordinado, que lhe sussurrava algo no ouvido, que alguns interpretam como “olhe atrás de você, lembre-se de que você é apenas um homem” ou “lembra-se de que é mortal”.

A glória que Moro teve no Brasil de 2016 jamais aconteceria em Roma. Lá, a cerimônia do triunfo só era realizada para quem, efetivamente, vencesse exército poderoso estrangeiro. Não valia para quem derrotava escravos, nem para quem se saísse vitorioso em conflitos internos.

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