Rotina de Bolsonaro na Papudinha tem quentinhas, caminhadas e futebol na TV

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 8:03
O ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Foto: Diego Herculano/Reuters

Há uma semana na Papudinha, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém uma rotina marcada por refeições enviadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, caminhadas diárias com antigos aliados e horas diante da televisão acompanhando partidas de futebol. Segundo relatos de visitantes, o cotidiano inclui alongamentos, exposição ao sol e conversas frequentes com vizinhos de cela. Com informações do Globo.

Bolsonaro divide a ala com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e com Silvinei Vasques, que chefiou a Polícia Rodoviária Federal. Os três, condenados pela trama golpista, costumam caminhar juntos, acompanhados por um guarda, e eventualmente fazem refeições na cela de Torres, onde conversam.

Bolsonaro chegou à Papudinha após dois meses preso na Superintendência da Polícia Federal. A transferência foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que o ex-presidente teria melhores condições no novo local — avaliação que aliados reconhecem reservadamente.

Na PF, ele ficava longos períodos sozinho, em espaço reduzido, e reclamava do barulho constante do ar-condicionado. Na Papudinha, a cela tem 54 metros quadrados e área externa.

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Bolsonaro ao lado de Silvinei Vasques e Andersos Torres. Foto: Pedro Ladeira

Dieta e bilhetes

A alimentação segue restrições. Bolsonaro prioriza alimentos pastosos, como purê, caldo de feijão e ovo mexido. As quentinhas são preparadas por Michelle e entregues com bilhetes. Segundo aliados, uma das mensagens dizia que o amava e pedia que não esquecesse que é “forte e corajoso”.

A dieta influencia a convivência: ele evita refeições compartilhadas e chegou a recusar comida oferecida por outros presos.

Exercícios e futebol

O ex-presidente acorda por volta das 7h, faz exercícios no espaço de custódia e acompanha jogos do Campeonato Carioca. De acordo com visitantes, assistir às partidas virou um “ritual” para marcar o tempo e aliviar o confinamento.

Saúde e visitas

Na primeira semana, Bolsonaro teve crises de soluço, sem gravidade. Aliados afirmam que há assistência médica 24 horas e que eventuais intercorrências são acompanhadas por equipe de plantão. Com o tratamento descrito como respeitoso, cessaram as queixas públicas sobre as condições da prisão.

Nesse período, ele recebeu duas visitas, além de médicos e advogados. Michelle esteve na unidade na manhã de quarta-feira e comentou com aliados que a Papudinha fica mais próxima do condomínio onde o casal vive, o que facilita deslocamentos.

Michelle Bolsonaro durante visita a Bolsonaro. Foto: Wilton Junior

Assistência religiosa

A agenda espiritual também entrou na rotina. Na véspera, Bolsonaro recebeu o pastor e deputado distrital Thiago Manzoni, que fez leitura bíblica e levou uma mensagem baseada na ideia de que “o justo viverá pela fé” e que, diante da adversidade, é preciso seguir com convicção “naquilo que ainda não vemos, mas há de acontecer”.

Aliados dizem que o bispo Robson Rodovalho pretende visitá-lo na próxima semana. A assistência religiosa foi autorizada pelo STF e pode ocorrer uma vez por semana, por até uma hora.