
A Interpol colaborou com autoridades brasileiras no monitoramento da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos durante a investigação que apura suspeitas de ligação dela com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo apontam que ela teria atuado em um esquema de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico de drogas e integração à facção criminosa.
Deolane foi presa preventivamente em um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, após retornar de uma temporada de mais de 20 dias em Roma, na Itália. Durante a viagem, ela ficou hospedada em um prédio de luxo na região da Piazza di Spagna, onde as diárias passam de R$ 15 mil, e publicava vídeos nas redes sociais.
Segundo a TV Globo, a investigação apontou que, enquanto a influenciadora divulgava registros da viagem, seus passos no exterior eram acompanhados à distância por autoridades brasileiras com apoio da Interpol. A polícia chegou a traçar planos para prendê-la em território italiano, mas ela voltou ao Brasil na véspera da deflagração da operação e acabou detida ao chegar a São Paulo.
Para a acusação, Deolane funcionava como um “caixa” do grupo. A defesa nega qualquer envolvimento com o crime organizado ou com dinheiro de origem ilícita e afirma que todos os seus recebimentos são declarados e justificados.
🚨AGORA – Fantástico revela que a PF e a Interpol estavam monitorando a Deolane na Itália pic.twitter.com/orkXvmo3xs
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) May 25, 2026
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que os investigados utilizam pessoas com grande número de seguidores para pulverizar e ocultar dinheiro ilícito. Um relatório financeiro da polícia indica que R$ 13,6 milhões circularam pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022. Outros R$ 14 milhões passaram por três empresas ligadas a ela.
A polícia afirma que a origem dos valores é “espúria”, já que quase não foram encontrados pagamentos de publicidade após a quebra do sigilo bancário da influenciadora. As autoridades também identificaram empresas fantasmas registradas em nome de Deolane em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, com endereços compartilhados por dezenas de outras firmas de fachada.
A investigação começou em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos em uma cela de Presidente Venceslau. As mensagens continham ordens atribuídas às lideranças do PCC, entre elas os irmãos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, o Marcolinha.
As pistas levaram a polícia a uma transportadora apontada como instrumento de lavagem de dinheiro da facção e de apoio ao tráfico internacional de cocaína. Em 2021, celulares foram apreendidos na casa de Ciro César Lemos e de sua esposa, que apareciam oficialmente como donos da empresa. Segundo a apuração, mensagens nos aparelhos indicavam contato com pessoas ligadas à cúpula da facção.
A defesa de Deolane, representada pelo advogado Aury Lopes Jr., afirmou que a influenciadora não tem qualquer vínculo ou conhecimento sobre a transportadora ou seus proprietários.
Em audiência de custódia, ela declarou que os valores recebidos eram pagamentos legítimos por serviços prestados quando atuava na advocacia criminal. Após a prisão, Deolane foi transferida para o presídio feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.