
A Rússia ameaçou o Reino Unido nesta segunda-feira (18) com “consequências” após relatos de que a Ucrânia teria usado drones fabricados por empresas britânicas em ataques contra alvos militares e industriais no interior do território russo.
A embaixada russa em Londres acusou o governo britânico de atuar como “cúmplice e coautor” das operações e de “optar deliberadamente por uma escalada” da guerra iniciada com a invasão russa em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
“As ações de Londres terão, inevitavelmente, consequências pelas quais terá de prestar contas”, afirmou a representação diplomática em comunicado. A embaixada também disse que o Reino Unido pagará um preço maior se ampliar sua participação no conflito e o apoio militar a Kiev.
A reação ocorreu após o Sunday Times noticiar que a Ucrânia empregou equipamentos de duas empresas britânicas contra instalações dentro da Rússia. Uma delas seria subsidiária da BAE Systems, gigante do setor de defesa.

Ministério da Defesa britânico não comentou relatos
O jornal não identificou a segunda companhia envolvida, sob alegação de segurança. O Ministério da Defesa do Reino Unido não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre a reportagem e as acusações feitas por Moscou.
O Reino Unido figura entre os principais aliados da Ucrânia desde o início da invasão. Londres comprometeu cerca de 25 bilhões de libras, equivalente a R$ 172 bilhões, em ajuda a Kiev, incluindo 16 bilhões de libras, ou R$ 112 bilhões, em assistência militar.
A Ucrânia ampliou nos últimos meses os ataques de longo alcance contra alvos russos, enquanto as forças de Moscou intensificaram bombardeios com mísseis e drones contra Kiev. As ofensivas ampliaram a disputa aérea entre os dois países.
Fabricantes ucranianos de drones também passaram a abrir instalações fora do país, com unidades na Alemanha, Dinamarca e Reino Unido. Uma fábrica ligada à Ukrspecsystems perto de Mildenhall, na Inglaterra, poderá produzir até mil unidades por mês no futuro.