
A Rússia declarou nesta sexta-feira (9) que utilizou o míssil hipersônico Oreshnik contra um alvo na Ucrânia durante um ataque noturno descrito por Moscou como de grandes proporções, direcionado a instalações de energia e fábricas de drones.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, a ofensiva teria sido uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de atacar, com drones, uma das residências do presidente Vladimir Putin no fim de dezembro. O governo da Ucrânia rejeitou a acusação e a classificou como “mentira”, negando qualquer tentativa de atingir o imóvel, localizado na região russa de Novgorod.
Do lado ucraniano, autoridades relataram danos à infraestrutura. O governador da região de Lviv, no oeste do país, informou anteriormente que um ataque russo atingiu um alvo estratégico. Nas redes sociais, circularam relatos não confirmados de que o local poderia ser uma grande instalação subterrânea de armazenamento de gás, informação que não foi verificada de forma independente.
Veículos de imprensa da Ucrânia citaram a Força Aérea do país, que afirmou ter sido usado um míssil balístico na ofensiva, com velocidade próxima de 13 mil quilômetros por hora. Moscou, por sua vez, sustenta que se tratava do Oreshnik, arma apresentada pelo Kremlin como uma das mais avançadas de seu arsenal.
Russia fires Oreshnik hypersonic missile at Lviv, first confirmed strike in western Ukraine
Mayor confirms 6 explosions targeting infrastructure near Poland 🅱️order
Hypersonic IRBM traveled 1,500km in 7 minutes at Mach 10
No air defense can intercept this weapon system pic.twitter.com/wZE2X8YFYz
— Boi Agent One (@boiagentone) January 8, 2026
More footage of the Russian Oreshnik IRBM strike on Lviv Oblast. pic.twitter.com/9f5SLanvsr
— AMK Mapping 🇳🇿 (@AMK_Mapping_) January 8, 2026
O nome Oreshnik significa “avelã” em russo. O míssil teria sido empregado pela primeira vez em novembro de 2024, quando a Rússia afirmou ter atingido uma fábrica militar ucraniana. Na ocasião, fontes de Kiev disseram que o projétil levava ogivas simuladas, sem explosivos, o que teria limitado os danos.
Apesar da divulgação feita por Moscou, autoridades ocidentais demonstraram dúvidas sobre a real eficácia do armamento. Em dezembro de 2024, um oficial dos Estados Unidos declarou que o míssil não era considerado decisivo no campo de batalha. A retomada do assunto ocorre em meio a um cenário de aumento das tensões internacionais e de disputa de versões sobre a escalada do conflito.
A justificativa russa para o ataque também segue sendo contestada por Kiev, que voltou a negar qualquer ação contra a residência de Putin. O episódio reforça a disputa de narrativas em torno da guerra, enquanto a população ucraniana continua enfrentando ataques recorrentes contra infraestruturas essenciais, sobretudo no setor energético, alvo frequente desde o início do conflito. A ofensiva relatada nesta sexta-feira amplia as preocupações com o impacto humanitário e com a continuidade de uma estratégia voltada a comprometer a capacidade logística e operacional da Ucrânia.
🇷🇺🇺🇦 The sky in Lviv is glowing different colors following the Russian Oreshnik strike. pic.twitter.com/NrcvDCJ04m
— Heyman_101 (@SU_57R) January 9, 2026