Rússia lança míssil Oreshnik contra Ucrânia em ataque noturno de grande escala

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 6:45
Um edifício residencial severamente danificado após ataques russos com drones e mísseis em Kiev na madrugada de sexta-feira. (9). Foto: Serhii Okunev / AFP

A Rússia declarou nesta sexta-feira (9) que utilizou o míssil hipersônico Oreshnik contra um alvo na Ucrânia durante um ataque noturno descrito por Moscou como de grandes proporções, direcionado a instalações de energia e fábricas de drones.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, a ofensiva teria sido uma resposta a uma suposta tentativa ucraniana de atacar, com drones, uma das residências do presidente Vladimir Putin no fim de dezembro. O governo da Ucrânia rejeitou a acusação e a classificou como “mentira”, negando qualquer tentativa de atingir o imóvel, localizado na região russa de Novgorod.

Do lado ucraniano, autoridades relataram danos à infraestrutura. O governador da região de Lviv, no oeste do país, informou anteriormente que um ataque russo atingiu um alvo estratégico. Nas redes sociais, circularam relatos não confirmados de que o local poderia ser uma grande instalação subterrânea de armazenamento de gás, informação que não foi verificada de forma independente.

Veículos de imprensa da Ucrânia citaram a Força Aérea do país, que afirmou ter sido usado um míssil balístico na ofensiva, com velocidade próxima de 13 mil quilômetros por hora. Moscou, por sua vez, sustenta que se tratava do Oreshnik, arma apresentada pelo Kremlin como uma das mais avançadas de seu arsenal.

O nome Oreshnik significa “avelã” em russo. O míssil teria sido empregado pela primeira vez em novembro de 2024, quando a Rússia afirmou ter atingido uma fábrica militar ucraniana. Na ocasião, fontes de Kiev disseram que o projétil levava ogivas simuladas, sem explosivos, o que teria limitado os danos.

Apesar da divulgação feita por Moscou, autoridades ocidentais demonstraram dúvidas sobre a real eficácia do armamento. Em dezembro de 2024, um oficial dos Estados Unidos declarou que o míssil não era considerado decisivo no campo de batalha. A retomada do assunto ocorre em meio a um cenário de aumento das tensões internacionais e de disputa de versões sobre a escalada do conflito.

A justificativa russa para o ataque também segue sendo contestada por Kiev, que voltou a negar qualquer ação contra a residência de Putin. O episódio reforça a disputa de narrativas em torno da guerra, enquanto a população ucraniana continua enfrentando ataques recorrentes contra infraestruturas essenciais, sobretudo no setor energético, alvo frequente desde o início do conflito. A ofensiva relatada nesta sexta-feira amplia as preocupações com o impacto humanitário e com a continuidade de uma estratégia voltada a comprometer a capacidade logística e operacional da Ucrânia.