Russomanno e Record são condenados a pagar R$ 50 mil a médica por fake news

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 12:11
Celso Russomanno na Record. Foto: Reprodução

A Justiça condenou o apresentador Celso Russomanno e a Record a pagar uma indenização de R$ 50 mil à médica que foi alvo de reportagens no quadro “Patrulha do Consumidor” em 2025. O juiz Victor Garms Gonçalves, da 3ª Vara Cível de Sorocaba, usou os termos “mentira” e “narrativa falsa” ao descrever as reportagens que difamaram a profissional, segundo a coluna de Rogério Gentile no UOL.

A reportagem, exibida em agosto de 2025, abordou complicações em uma cirurgia e levantou a suspeita de que materiais cirúrgicos, como parafusos e placas, não haviam sido implantados corretamente na coluna do paciente. Russomanno afirmou que sua equipe analisou “todo o prontuário” e mostrou um laudo com a legenda “parafusos foram usados?”, o que mais tarde foi comprovado como incorreto.

O documento mostrado pela reportagem era anterior à cirurgia, e, de acordo com a defesa da médica, a matéria insinuava que materiais cirúrgicos foram “pedidos e vendidos para terceiros”, sem qualquer prova concreta e sem permitir que a médica se defendesse. A advogada da médica, Lilian Serdoz, afirmou que o conteúdo era claramente difamatório e sem fundamentos.

Após a exibição da reportagem, a médica apresentou exames que comprovavam a presença das placas e parafusos na coluna do paciente, mas a Record, em uma nova reportagem divulgada em setembro, insistiu na narrativa falsa. O juiz afirmou que, apesar de já saber da veracidade das informações, a emissora continuou a disseminar uma “meia-verdade” e manteve as suspeitas.

“Optaram por uma ‘meia-verdade’: admitiram erro de edição no uso de um exame antigo, mas deliberadamente omitiram a prova definitiva e mantiveram a narrativa de suspeita, com o apresentador afirmando que ‘ainda aguardava novos exames'”, diz a decisão.

Estúdio da Record. Foto: Reprodução

Segundo o juiz, ao manter a narrativa falsa, a Record “agiu com dolo”, sabendo que as informações eram incorretas. Russomanno foi considerado o principal responsável pela difusão das acusações, e o médico Cleber Furlan, que validou as acusações na reportagem, também foi condenado por sua participação na construção da narrativa falsa.

A defesa de Russomanno e da Record alegou que a matéria foi feita com rigor e de boa-fé, e que não houve intenção de imputar crime à médica. O apresentador afirmou que a condução da reportagem foi equilibrada e imparcial, e que ele leu “ao vivo” a resposta da médica.

O médico Cleber Furlan, em sua defesa, afirmou que sua participação foi técnica e baseada nos documentos fornecidos, sem juízo de valor sobre o trabalho da médica. Ele alegou que suas declarações se limitaram à leitura do prontuário do paciente, e negou qualquer ato ilícito ou erro médico. A decisão ainda pode ser recorrida pelos réus.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.