Saiba por que Raquel Dodge não vai investigar a Globo. Por Joaquim de Carvalho

Raquel Dodge

A decisão da procuradora geral Raquel Dodge de encaminhar a denúncia contra a Globo por corrupção tem tudo para não dar em nada. Lembra o que aconteceu em 2014, quando um grupo de blogueiros, com o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé e o Mega Cidadania à frente, foi ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e entregou uma representação com 25 páginas do processo da Receita Federal em que os donos da TV Globo são responsabilizados pela prática de crime contra a ordem tributária.

O procurador recebeu os documentos e encaminhou para a Polícia Federal, que abriu inquérito. “Tinha grande esperança de que o crime fosse, finalmente, apurado, em razão da independência do Ministério Público”, diz Alexandre César Costa Teixeira, autor do blog Mega Cidadania.

No último 7 de outubro, dois dias depois do primeiro turno das eleições, o inquérito foi arquivado, por decisão do delegado Luiz Menezes, da Delegacia Fazendária da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. A decisão teve endosso do Ministério Público e foi acatada pela 8ª Vara Federal Criminal do Estado.

“A frustração é muito grande. Eu me empenhei muito para que esse caso não ficasse impune”, disse Alexandre, ao saber que a representação dele e de seus amigos acabou no arquivo da Justiça Federal.

“Eles não chamaram nenhum de nós para depor, mesmo sabendo que fomos nós que conseguimos as páginas do processo que havia desaparecido da Receita. É um absurdo”, afirma. “O sentimento é de indignação”, diz ele, que já foi funcionário do Banco do Brasil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Alexandre faz parte de uma rede que atuou na internet, em junho de 2013, para fortalecer as manifestações de rua. Foi ele quem entregou a Miguel do Rosário, do site O Cafezinho, os documentos que incriminavam a Globo, o que provocou, em julho de 2013, uma manifestação em frente à porta da Globo, na rua Von Martins, Jardim Botânico, em que foram distribuídos adesivos com a frase “Sonegação é a maior corrupção”.

Desta vez, a denúncia de que a Globo pagou propina para ter direitos de transmissão de futebol veio dos Estados Unidos, onde a Justiça processa o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, por lavagem de dinheiro. Se quisesse, Raquel Dodge poderia determinar a abertura de inquérito ou requisitar documentos dos Estados Unidos, com base no acordo de cooperação internacional. Em vez disso, lavou as mãos e jogou a batata quente para o Ministério Público Federal.

Como mostra o caso de sonegação, esta denúncia também tem tudo para terminar no arquivo. Algum procurador pode até requerer diligência da Polícia Federal, como aconteceu no caso da sonegação, mas é improvável, dados os antecedentes, que resultem  em algo concreto.

A Globo só corre algum risco se os investigadores norte-americanos decidirem investigar como a emissora movimentou caixa 2 para corromper dirigentes de futebol. Do contrário, não há risco. No Brasil, assim como o PSDB, a Globo é inimputável.

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PS: Temer, que nomeou Raquel Dodge, até tem interesse no desgaste da emissora — depois de derrubarem Dilma, os golpistas, como qualquer quadrilha de assaltantes, estão brigando para dividir o butim, daí o desentendimento entre Temer e Globo. Mas, político experiente, Temer quer enfraquecer o adversário, não liquidá-lo. O encaminhamento da denúncia para o Rio de Janeiro segue o roteiro.

 

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