Saída de Lewandowski deve levar núcleo duro do Ministério da Justiça; entenda

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 7:57
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Foto: Reprodução

O núcleo duro do Ministério da Justiça e Segurança Pública deve deixar a pasta junto com Ricardo Lewandowski, movimento já sinalizado por integrantes-chave da equipe e tratado nos bastidores do governo Lula, conforme informações da Folha de S.Paulo.

A saída do ministro é esperada para os próximos dias e tende a arrastar secretários que compõem o comando central da pasta.

Pelo menos dois secretários comunicaram a pessoas próximas a intenção de deixar o ministério com Lewandowski: o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo.

Outro nome que deve sair ainda no primeiro semestre é o secretário de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, que planeja disputar uma vaga de deputado federal em 2026.

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O secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo. Foto: Reprodução

A previsão inicial era que Lewandowski deixasse o cargo após a aprovação da PEC da Segurança, ainda sem data na Câmara. Segundo interlocutores, porém, a saída deve ocorrer já na sexta-feira (9). O ministro retornou de férias antes do previsto e reassumiu as atividades nesta segunda (5), além de ter solicitado audiência ao presidente Lula, o que reforçou a expectativa de antecipação.

Ao informar a intenção de sair, Lewandowski ouviu de Lula um pedido para aguardar até o fim de janeiro ou o início de fevereiro, de modo a alinhar sua saída à do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ainda assim, a decisão de deixar a pasta foi pactuada recentemente, em meio à avaliação interna de desgaste do ministro.

Lewandowski assumiu o ministério em 1º de fevereiro de 2024, após Flávio Dino ir para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na posse, prometeu foco em segurança pública, combate ao crime organizado, delitos digitais e milícias.

Agenda e futuro da pasta

Na gestão, o ministério apresentou um arcabouço legal para enfrentar o crime organizado, incluindo a PEC da Segurança e o PL Antifacção, ambos em tramitação na Câmara.

Aliados de Lula defendem reavaliar o perfil do comando da área — especialmente se houver divisão entre Justiça e Segurança Pública — para dar maior capacidade de disputa da pauta junto à opinião pública.

No governo, porém, há quem sustente que a criação de um Ministério da Segurança só avance após a aprovação da emenda constitucional que redefine competências da União.