
Por Leonardo Sakamoto, via UOL.
Do total de eleitores, 59% creem que bets provocam endividamento, 62% concordam que elas viciam e, diante disso, 44% defendem que devam ser proibidas, frente a 24% que acham que elas devam continuar operando. Em outras palavras: candidatos à Presidência da República que defenderem o fim da jogatina online podem ganhar votos. E as campanhas já perceberam isso.
Quase 30% dos homens apostaram em bets nos últimos 30 dias, contra 22% das mulheres. E quem mais bota dinheiro nessas dragas é quem menos tem — o que não surpreende, dada a difusão das mentiras de enriquecimento rápido com o jogo. Entre os que ganham até um salário mínimo, quase 25,8% apostaram recentemente. De um a três salários mínimos, foram 26,6%. Já quem ganha mais de cinco salários mínimos, a taxa cai para 16,7%.

E 28% creem que algum familiar aposte escondido, o que é sinal de que sabe que não pode ou não deveria, mas, mesmo assim, faz. A população vai percebendo que, em termos de vício, a diferença entre bets e o crack é que um traz o risco da boca, e o outro, a segurança do celular.
Ironicamente, donos de bets têm uma relação para lá de promíscua com parte dos deputados e senadores. Um exemplo foi o Bonde do Tigrinho, no qual Fernandinho OIG, empresário do ramo de bets, deu carona ao Caribe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e aos deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Não à toa o relatório final da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) na CPI das Bets, que propôs indiciamentos, não foi aprovado pela maioria dos senadores.
Dificilmente as bets serão proibidas nesta legislatura. Muito pelo contrário. Há deputados e senadores cavalgando o tigrinho em busca da reeleição.