Sakamoto: Castro renunciou para tentar continuar mandando no Rio

Atualizado em 26 de março de 2026 às 10:12
Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro. Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Cláudio Castro (PL), agora ex-governador do Rio, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e assim ficará. Tal como o ex-deputado federal Daniel “Surra de Gato Morto” Silveira, ele pode até se lançar ao Senado, mas os votos depositados nele serão considerados nulos em outubro.

A principal razão para Castro renunciar não foi fugir da vergonha de ser cassado ou de manter seus direitos políticos, até porque perdeu feio, por 5 votos a 2, mas tentar influenciar sua sucessão, mantendo, assim, algum controle sobre o governo.

Como o vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou ao cargo no ano passado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, a regra é clara: a vacância do Palácio Guanabara deveria levar à eleição indireta, com a Assembleia Legislativa escolhendo entre candidatos propostos por partidos políticos. Se ele tivesse sido cassado, como estamos a mais de seis meses das eleições, o TSE mandaria realizar eleições diretas. E foi isso o que o tribunal confirmou ontem.

Após o voto de Antonio Carlos Ferreira, favorável à cassação, Castro sentiu o cheiro de queimado, porque não se sabia qual seria a posição do ministro. Para tanto, caiu perfeitamente como uma luva um pedido de vistas feito pelo ministro Nunes Marques. Isso deu tempo para o então governador organizar sua saída.

TSE
TSE. Foto: Divulgação

Ah, mas o ex-prefeito Eduardo Paes pode tentar a vaga. Se ele se candidatar para cumprir o mandato tampão, queimará a sua tentativa de reeleição em outubro de 2026. Ou seja, caso eleito, ele não poderia busca um novo mandato em 2030.

Agora, Castro e o seu grupo, que passaram mais tempo nas páginas policiais do que nos cadernos de economia e política, com o presente bilionário ao Banco Master, chacinas históricas e funcionários-fantasmas, pode tentar, na Alerj, emplacar um aliado no governo, a fim de usar a máquina pública visando derrotar Paes.

Considerando que o ex-governador foi cassado exatamente porque torrou mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos para contratar 24 mil cabos eleitorais de forma secreta, via Fundação Ceperj e Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e interferir nas eleições, pode-se dizer que há chances de a História se repetir. Primeiro como farsa, depois como pornochanchada.

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