
Por Leonardo Sakamoto, no UOL
“Qualquer pessoa sabe que o Flávio não ficou esse tempo todo sem falar com o pai. É claro que falava, apesar de proibido. Dava-se um jeito. Mas ele não podia chegar e dizer ‘olha, meu pai me ligou e me disse tal coisa’. O pai dele é um presidiário e não pode se comunicar dessa forma.”
Com as restrições impostas a Jair Bolsonaro, Michelle passou a exercer o papel de principal intermediária política do ex-presidente. Embora ele ainda possa receber visitas dos filhos Carlos e Jair Renan, os dois não possuem a mesma capacidade de articulação política de Eduardo e Flávio, que estão nos Estados Unidos.
Segundo Sakamoto, a influência de Michelle também se explica pela proximidade cotidiana com Bolsonaro. A ex-primeira-dama acompanha a rotina do marido, mantém contato frequente com ele e consegue transmitir rapidamente suas posições a aliados, além de selecionar quais mensagens serão divulgadas conforme seus próprios interesses.
“Ela cuida dele. Está lá no dia a dia. Está conversando com ele toda hora. Para quem vê de fora, ela está colocando os desejos e as posições dele para o mundo. Mas, é claro, que ela vai filtrar isso de acordo também com as suas necessidades e as suas demandas pessoais e políticas.”
Bolsonaro também recebe outros integrantes do meio político, entre eles o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Nenhum deles, porém, mantém uma presença tão constante quanto Michelle, que ganhou espaço nas articulações internas do bolsonarismo.
Sakamoto também relacionou o fortalecimento da ex-primeira-dama à disputa pela sucessão política de Bolsonaro. De um lado estão os filhos do ex-presidente; de outro, integrantes do bolsonarismo que defendiam uma candidatura de Tarcísio de Freitas, com Michelle como possível vice. A escolha de Flávio não teria encerrado essa disputa.
“Quando houve a questão da sucessão, após Bolsonaro ser condenado e preso, parte do bolsonarismo meio que se reorganizou para que a sucessão ficasse com o Tarcísio e, eventualmente, com a Michelle como vice. Depois, os filhos pressionaram o pai, que intubou Flávio. Mas, aquela sucessão, que ia acontecer, ainda deve se concretizar.”