
Por Leonardo Sakamoto, no UOL
Pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje mostra que Lula marca 39% frente a 29% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno; outros candidatos não passam de 3%. No segundo turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passou de 42%, em abril, para 38% agora em junho, enquanto o petista foi de 40% para 44%. O petista melhorou com a percepção de que seus programas ajudaram economicamente o eleitorado, enquanto o filho do ex-presidente piorou com a percepção de que ele teve relações indevidas com o maior corrupto do país hoje.
Entre maio e junho, após o escândalo da troca de mensagens entre o senador e o banqueiro Daniel “Irmão, estou e estarei contigo sempre” Vorcaro vir a público, Lula avançou entre os independentes, de 29% para 37%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%. A margem de erro é de dois pontos. Representando 32% do eleitorado e fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo, esquerda e direita, esse naco da sociedade deve ser o fiel da balança nas eleições de outubro, tal como foi em 2022.

Lula se beneficiou da percepção da melhora da economia. Por exemplo, entre fevereiro e agora, passou de 47% para 57% o total dos que dizem que sentiram alguma ou muita melhora na renda após a isenção de IRPF para quem ganha até R$ 5.000. Já o Desenrola 2 fez com que o total de brasileiros que se diziam com muitas dívidas passasse de 28% para 23%, enquanto o montante dos que dizem não ter mais dívidas foi de 27% para 30%. E isso apenas entre maio e agora.
Se, por um lado, aumentou o total de boas notícias para Lula, por outro, Flávio Bolsonaro está vivendo um inferno vorcariano.
A Genial/Quaest mostra que 62% dos eleitores dizem que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sabia que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, estava envolvido em corrupção quando negociou dinheiro com ele. O número sobe para 65% entre os eleitores independentes. Outros 58% afirmam que Flávio pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso Master (64% entre os independentes).

Reportagem do Intercept Brasil revelou em maio que o senador pediu R$ 134 milhões ao banqueiro sob a justificativa de patrocinar o filme Dark Horse, sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conseguiu R$ 61 milhões. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos foi usada para bancar Eduardo Bolsonaro nos EUA, enquanto o então deputado federal conspirava contra o Brasil.

Para 65%, Flávio errou ao ter pedido dinheiro ao banqueiro, enquanto apenas 17% dizem que não há nada demais. Entre os independentes, quase 7 entre cada 10 apontam que ele errou. As notícias do relacionamento entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro diminuem a vontade de 12% do eleitorado de votar nele (15% entre os independentes), o que, em uma eleição extremamente polarizada, é muita coisa.
Para 26%, o pedido a Vorcaro não muda em nada o voto no senador, e 50% dizem que já não votariam nele. Vale destacar os 6% que afirmam que aumentou a vontade de votar em Flávio após as informações de que ele pediu o dinheiro e mostrou intimidade com o banqueiro.
Lula está colhendo os frutos de programas e mudanças que começaram a fazer sentido no bolso do eleitor médio, enquanto Flávio Bolsonaro tenta explicar por que precisava de R$ 134 milhões para contar a história do pai de um banqueiro que, segundo 62% dos brasileiros, ele sabia estar envolvido em corrupção.
Outubro está longe o suficiente, e o cenário pode mudar. Tem mais escândalo para sair, mas também tem inflação com a guerra no Irã e o El Niño. Está tudo em aberto. Mas, neste momento, Lula está em uma situação melhor que a do adversário, pelos acertos dele e os erros de Flávio.
E, vale ressaltar, 55% dos eleitores afirmam que já sabiam das conversas e das negociações de Flávio Bolsonaro com o Daniel Vorcaro, enquanto 45% disseram que não sabiam. Ou seja, há quase metade do eleitorado que não tem ideia do que aconteceu, o que deve ser explorado pela campanha de Lula.