Sakamoto: Eleitores decisivos compram versão de Michelle Bolsonaro e complicam Flávio

Atualizado em 2 de julho de 2026 às 16:19
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Para a surpresa de ninguém, a maioria (55%) dos eleitores de Jair Bolsonaro não acredita nas acusações de que Michelle Bolsonaro tenha sido maltratada e humilhada por Flávio. Mas, para o azar do senador, 62% dos eleitores que se consideram independentes, ou seja, não são nem petistas nem bolsonaristas, acreditam. E 41% tendem a concordar com ela, frente a 10% com ele.

São os independentes que definem eleições polarizadas, como a que viveremos. O dado faz parte da nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje. A margem de erro é de um ponto.

Para piorar, 30% dos bolsonaristas creem no que ela disse e 17% dos seguidores do ex-presidente tendem a concordar com ela, o que também não é pouco em uma eleição que pode ser definida no olho eletrônico. Entre os independentes, 68% apontam que o barraco entre Flávio e Michelle enfraquece de alguma forma a candidatura do primogênito do presidente.

Michelle Bolsonaro ao lado de Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Ao tentar esmagar a ex-primeira-dama sob o peso do machismo que sempre serviu de argamassa para o seu grupo político, o 01 pode ter dado um tiro de bazuca no próprio pé. O clã, acostumado a tratar mulheres como coadjuvantes submissas no altar de seu conservadorismo (com a ajuda de muitas das mulheres do próprio grupo, diga-se de passagem), achou que bastaria uma demonstração de força e intimidação para varrer Michelle, que disputa com eles o sentido da extrema direita.

A fatura desse canibalismo interno não será cobrada pela claque do cercadinho, mas pelo eleitorado independente, exatamente onde as eleições majoritárias são decididas no Brasil.

Flávio pode até achar que venceu a batalha familiar pelo monopólio do espólio do pai. Mas, ao transformar a misoginia em tática de sobrevivência interna, periga descobrir na frente das urnas que lutou tanto pela hegemonia do bolsonarismo apenas para herdar um latifúndio de cinzas.

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