
A intensificação das investigações sobre o Caso Master colocou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em uma posição defensiva e passou a influenciar diretamente seus cálculos políticos para os próximos meses. A avaliação é do colunista Leonardo Sakamoto, que afirmou, em live do Uol, que o avanço das apurações da Polícia Federal acelera discussões internas sobre a necessidade de preservar o foro privilegiado e reduzir riscos jurídicos imediatos.
Segundo Sakamoto, Ibaneis vinha trabalhando com a possibilidade de deixar o governo em abril para disputar uma vaga no Senado. O movimento teria como objetivo central manter o foro e dificultar o avanço de ações judiciais em meio à crise envolvendo o Banco Master.
“O Ibaneis estava pretendendo sair agora, em abril, para o Senado. A ideia, na verdade, era manter o foro privilegiado e a dificuldade de processá-lo diante de todos esses acontecimentos. Esta investigação da Polícia Federal sobre o Master acaba acelerando esse processo”, afirmou o colunista.
O cenário, no entanto, não é estático. Para Sakamoto, o governador pode recalibrar a estratégia conforme o ambiente político e jurídico evoluir.
“Duvido que ele não leve em consideração o melhor cálculo para ficar distante do problema e se proteger. Há uma possibilidade para fugir do impeachment se ele começar a bater a porta: Ibaneis renuncia para não perder direito político e disputa o Senado”, disse. A alternativa, segundo ele, permitiria escapar de um eventual processo de impeachment sem abrir mão de capital eleitoral.

Por outro lado, caso consiga neutralizar a pressão política local e evitar o avanço de um pedido formal de impeachment, Ibaneis pode optar por permanecer no cargo até o fim do mandato.
“Mas se conseguir costurar para que o impeachment não aconteça, não duvido nada que Ibaneis continue até o final do seu mandato. O Senado garantiria uma proteção futura, mas o mandato garante a proteção agora”, avaliou Sakamoto.
O colunista afirmou ainda que o agravamento da crise era esperado. “Esse desenvolvimento direto e o aprofundamento da crise sobre o governador Ibaneis Rocha eram favas contadas. A questão não era se isso ia acontecer, mas quando seria. Ou pior: por que não havia acontecido ainda?”, disse.
Para ele, os desdobramentos do Caso Master ainda estão longe do fim e podem produzir efeitos mais amplos no centro do poder local. “O Banco Master ainda não causou nada do que pode ser um verdadeiro rebosteio em Brasília. A começar pelo epicentro ser a sede do governo do Distrito Federal”, completou.
Sakamoto também destacou que o foco das investigações vai além do rombo bilionário do banco. Há questionamentos sobre transações anteriores à venda do Master envolvendo o BRB, o Banco de Brasília.
“Há bilhões de reais de papéis podres, de transações entre o BRB e o Master antes mesmo da venda. Muita gente coloca que a venda estava acontecendo não para o Master simplesmente vender papelote podre que estava encalhado, mas para justificar a venda anterior de papelote podre para o Banco de Brasília”, afirmou.