Sakamoto: Hoje foi dia do troco de Ciro Nogueira em Flávio Bolsonaro

Atualizado em 21 de maio de 2026 às 22:54
Ciro Nogueira Flávio Bolsonaro
Os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Por Leonardo Sakamoto, via UOL.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi questionado na quinta passada sobre o envolvimento de Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais apoiadores de sua candidatura, no caso Master. Disse que a hipótese que havia sido aventada de tê-lo como seu vice foi apenas um “gesto”, que o senador “não tinha perfil” para a vaga e que ele “é acusado de coisas graves e vai responder” e que, se Deus quiser, provará a inocência. Largou o amigo no acostamento.

Hoje, uma semana depois, foi o dia do troco de Ciro Nogueira.

Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, o senador disse que não estava lá para defender nem acusar Flávio Bolsonaro. “Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, disse.

E completou: “Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei”.

Ambos estão em apuros devido às relações fraternais e financeiras com o banqueiro Daniel Vorcaro, o bandido-Master do país.

As mensagens e áudios de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões e levando R$ 62 milhões, incluindo promessa de lealdade eterna, criaram problemas para a sua pré-campanha. Enquanto isso, uma investigação da Polícia Federal apontou que Ciro Nogueira recebia uma mesada de até R$ 500 mil em troca de favores ao banqueiro no Senado.

Independente disso, a ironia é que os dois estão no mesmo barco furado. Enquanto um pede investigação com isenção e o outro deseja que, Deus quiser, seja provada a inocência alheia, ambos aparecem em recibos, planilhas e mensagens comprometedoras ligados ao mesmo banqueiro, dono de um esquema com grande apetite a recursos públicos.

No Brasil, amizades políticas raramente sobrevivem ao primeiro inquérito. O que sobrevive, teimosamente, é a conta a pagar da sociedade.

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