Sakamoto: Petróleo é a droga que levou Trump a bombardear a Venezuela

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 20:47
Donald Trump faz pronuciamento na Flórida para falar sobre o sequestro de Maduro Imagem: Jim Watson/AFP

Leonardo Sakamoto

Após a invasão do Iraque em 2003, George W. Bush tentou sustentar por anos a mentira de que o motivo eram as (fictícias) armas de destruição em massa e a democracia. Já Donald Trump deixou cair a fantasia de que o ataque à Venezuela era apenas por causa das drogas e da democracia horas após os bombardeios. A satisfação de poder controlar a maior reserva de petróleo do mundo, a apenas um Caribe de distância, é grande.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura em péssimo estado e comecem a gerar lucro para o país”, disse. Segundo ele, a reconstrução vai custar bilhões de dólares que serão pagos diretamente pelas companhias — que serão devidamente pagas por isso. Com isso, o petróleo venezuelano voltará a fluir. Agora sem o embargo imposto pelos EUA, claro.

O que significa preços mais baixos para o consumidor norte-americano e, com isso, redução nos preços que atormentam o seu governo e lucros para as corporações norte-americanas. “Eles estavam bombeando quase nada em comparação com o que poderiam estar bombeando”, avaliou.

Trump não teve cerimônias ao afirmar que os ataques também foram motivados pelo que ele considera uma dívida histórica da Venezuela com a indústria do petróleo dos EUA devido à expulsão das empresas e a nacionalização do setor nos anos 2000 por Hugo Chávez.

“Eles falam em ‘nosso petróleo’. Nós construímos toda aquela indústria lá, e eles só tiraram de nós como se fossemos nada, e tivemos um presidente que decidiu não fazer nada. Fizemos algo sobre isso. Tarde, mas fizemos algo sobre isso”, disse. Também afirmou que isso constituiu “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do nosso país”.

Ou seja, apontou a necessidade de reembolsar empresas norte-americanas pelo investimento que será feito, mas também por aquele do passado.

A Chevron, com sede no Texas, ainda opera no país e produz cerca de um quarto do petróleo venezuelano. Disse apoiar uma transição de governo — desde que as coisas mudem para continuar como são.

Ao realizar um cerco a petroleiros que saíam da Venezuela no mês passado, Trump já havia dito que estava apenas começando: “O impacto neles vai ser algo nunca antes visto, até que devolvam aos EUA todo o petróleo, terra e outros ativos que roubaram de nós anteriormente”.

Um homem segura uma faixa em frente à embaixada dos Estados Unidos em Londres que diz: ‘Tirem as mãos da Venezuela’ – Carlos Jasso – 3.jan.26/Reuters

Após ter sequestrado o ditador Nicolás Maduro, deu a entender que não terá pressa no processo de retomada dos recursos minerais venezuelanos.

“Vamos governar a Venezuela até que haja uma transição adequada e justa”, disse Trump hoje. Para ele, os EUA precisam “se cercar de bons vizinhos e de recursos energéticos”. Mais claro que isso só se tivesse discursado com o corpo nu untado de óleo.

Originalmente publicado no UOL