Sakamoto: Prisão no caso Master é alerta a quem jogou grana de aposentados no lixo

Atualizado em 4 de fevereiro de 2026 às 11:31
Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência. Foto: reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

A Polícia Federal prendeu hoje o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal. Ele já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão. Sob a sua gestão, a Rioprevidência investiu no Banco Master R$ 970 milhões que podem nunca ser recuperados.

Era dinheiro de aposentadorias de professor com burnout, enfermeira que segura plantão triplo e gari que limpa rua alagada. Esse pessoal que continua pobre porque não têm, segundo muitos coaches, o mindset correto.

Sim, da quadrilha que roubou o INSS, passando pela tungada no caso Master até novas propostas de reforma da previdência que só lascam o andar de baixo, os aposentados não têm um momento de sossego no Brasil.

Por que estados e municípios colocaram bilhões em letras financeiras do Master, ignorando o alto risco? A escolha de uma instituição já duvidosa foi técnica (o que seria incompetência e barbeiragem) ou política (visando à sacanagem)? Nesse segundo caso, foi para ajudar o Master, que precisava captar grana no mercado para não ser liquidado pelo Banco Central, ou para inflar o patrimônio dos controladores da instituição, que têm muitos amigos na política, com direito a um cashback?

E a grana que o Master captou com fundos de previdência em estados e municípios pode ser apenas parcialmente recomposta com a venda do patrimônio de Daniel Vorcaro e das empresas relacionadas a ele. Pois há dinheiro que já evaporou ou foi embora na descarga da privada após festas de luxo.

A 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro viu indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas. O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro está sob responsabilidade do governo Cláudio Castro (PL), que, por enquanto, não é alvo da operação.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

A prisão do ex-presidente da Rioprevidência acende uma luz amarela entre os gestores estaduais e municipais com negócios com o Master.

O Amapá de Clécio Luís (agora, no União Brasil), por exemplo, investiu R$ 400 milhões em títulos de risco. Isso sem falar em um rosário de prefeituras, do interior da Bahia à aprazível São Roque (SP).

A Rioprevidência e o Amprev do Amapá disseram que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido aos segurados, mesmo com a liquidação do Banco Master. A questão é quem assume o tamanho do prejuízo. Há gente crescida no leite com pera defendendo que o rombo seja coberto pela União (ou seja, por nós), tal como deve ocorrer com o Banco de Brasília, que torrou bilhões com o Master.

E é importante que membros dos Três Poderes na esfera federal, mas também estados e municípios, fiquem preocupados com os desdobramentos da investigação. Afinal, quem paga a conta quando a aposta dá errado?

Até aqui, a resposta tem sido sempre a mesma, o servidor público que não escolheu banco nenhum, o contribuinte que não assinou contrato algum e a sociedade chamada a socializar prejuízos enquanto lucros foram privatizados em silêncio.

Prisões ajudam, mas não resolvem o essencial. Sem responsabilização política, sem recuperação efetiva do dinheiro e sem freio ao uso da previdência como caixa eletrônico de aventureiros bem relacionados, a história vai se repetir. E, como sempre, quem não tem o “mindset” para festas de luxo seguirá financiando a ressaca alheia.