Salários milionários, imposto baixo: ser presidente de banco e alto executivo no Brasil é como viver no paraíso. Por Joaquim de Carvalho

Desde 2010, os bancos e as grandes empresas brasileiras que têm capital aberto brigavam na Justiça para não cumprirem uma norma da Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de capitais: a de que os salários dos altos executivos fossem divulgados. E agora, depois que o Tribunal Regional da 2a. Região cassou a liminar que garantia o segredo, sabe-se por quê.

Num país em que o salário mínimo não chega a 300 dólares, a taxa de juros é a mais alta do planeta e as tarifas dos serviços públicos prestados por concessionárias são bastante elevadas, o que eles recebem é um escândalo. Reportagem do UOL relaciona salários dos presidentes de dois bancos e cinco grandes empresas.

O presidente do Itaú recebe mais de R$ 40 milhões por ano (3,4 milhões por mês) e o do Bradesco, quase R$ 16 milhões (R$ 1,3 milhão por mês). O presidente da Vale, R$ 19 milhões (R$ 1,6 milhão por mês). O da Tim, mais de 8 milhões (R$ 680 mil por mês), assim como o do grupo Iguatemi. O salário anual de presidente da Alpargatas é superior a R$ 7 milhões (R$ 611 mil) e o da Vivo, quase R$ 7 milhões (R$ 560 mil por mês).

O salário milionário desses executivos contrasta com a cartilha que as corporações que representam costumar oferecer ao país. São eles defenderam a reforma que retirou direitos trabalhistas e contribuiu para a precarização do trabalho, e agora exigem a reforma da Previdência, que tornará a aposentadoria um privilégio.

A liminar que impedia a divulgação desses salários milionários tinha sido obtida na Justiça pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), sob o argumento de que a divulgação dos valores representaria uma violação da privacidade e um risco à seguranças. Para a CVM, a falta de transparência impedia o acionista de saber quanto a empresa paga a seus dirigentes.

E agora se sabe que é uma enormidade, desproporcional aos ganhos médios do trabalhador brasileiro. Depois que a liminar caiu e a caixa preta dos salários dos executivos foi aberta, a pergunta que fica é: O que será do tal Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças? Para que serve?

Talvez ainda haja uma batalha a travar: a de continuar bloqueando no Congresso uma reforma tributária que faça marajás como eles pagar mais impostos: a alíquota de imposto para quem ganha R4 3,4 milhões por mês, como o presidente do Itaú, é a mesma de quem ganha R$ 4,7 mil por mês: 27,5%, com direito a muitas restituições.

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