
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña compareceu neste sábado (7) à sede da Fiscalía General del Estado, o Ministério Público paraguaio, em Assunção, para prestar depoimento na investigação ligada ao Ueno Bank. Ele se apresentou um dia após ser destituído pelo Senado e preso. Em comunicado reproduzido pelo portal, a Fiscalía informou que Peña estava acompanhado do advogado Ricardo Preda.
A ordem de detenção foi expedida pelo Ministério Público na sexta-feira (6), no âmbito da investigação sobre o banco. A medida também atingiu Carlos Carvallo, que havia renunciado à presidência do Banco Central do Paraguai. A nota oficial menciona suspeitas de abuso de confiança e outros possíveis delitos.
Peña foi inicialmente mantido em casa, mas acabou transferido para uma instalação militar em Assunção. A mudança para o Regimiento Escolta Presidencial ocorreu por razões de segurança, após protestos diante da residência e confrontos entre manifestantes e policiais.
A crise tem como centro o Ueno Bank, cujas operações foram suspensas pelo Banco Central na terça-feira (3). A autoridade monetária considerou a instituição insolvente, sem condições de honrar seus compromissos financeiros, e iniciou um procedimento de resolução. As apurações envolvem a gestão do banco e empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador.
El expresidente de la República, Santiago Peña, comparece en la sede de la Fiscalía General del Estado para prestar declaración indagatoria, asistido por su abogado defensor, Dr. Ricardo Preda. https://t.co/WRmzRVn4s8
— Fiscalía Paraguay (@MinPublicoPy) November 7, 2026
Peña foi acionista da Ueno Holding, ligada ao grupo do banco, até março de 2025, de acordo com o portal. Depois de ele assumir a Presidência, em 2023, a instituição recebeu cerca de US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos. Parlamentares da oposição apresentaram uma denúncia contra Peña, que passou a ser investigado pelo Ministério Público.
Em meio à crise, Peña apresentou uma renúncia que não foi aceita pelo Congresso e acabou destituído por decisão unânime do Senado na sexta-feira. Com a saída do cargo, perdeu a imunidade política. A investigação criminal sobre o caso bancário tramita separadamente do processo político que encerrou seu mandato.
Antes de a votação do impeachment terminar, Peña publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais. Disse que havia decidido renunciar para evitar novos danos ao país e sustentou que sua permanência poderia ampliar a divisão e a instabilidade política.