São-paulino e romântico: Quem é Lucas Pinheiro, que fez história nos Jogos de Inverno

Atualizado em 14 de fevereiro de 2026 às 13:08
O esquiador Lucas Pinheiro Braathen. Foto: Reprodução

Lucas Pinheiro Braathen, que fez história neste sábado (14) ao conquistar a primeira medalha olímpica do Brasil nos Jogos de Inverno, venceu o slalom gigante em Milão-Cortina 2026 ao fazer o melhor tempo somado das duas descidas e garantiu o ouro inédito para o país.

Aos 25 anos, o esquiador disputou pela primeira vez a Olimpíada sob a bandeira brasileira, após trocar a Noruega — onde nasceu — pelo país de origem de sua mãe. A vitória também marcou a primeira vez que um brasileiro sobe ao lugar mais alto do pódio na história dos Jogos de Inverno.

A decisão de defender o Brasil

Filho de pai norueguês e mãe brasileira, Lucas Pinheiro Braathen possui dupla cidadania e sempre manteve vínculo com o Brasil, visitando a família materna nas férias desde a infância. Em 2024, após desentendimentos com a federação norueguesa, decidiu competir pelo país sul-americano e voltou às pistas depois de ter anunciado aposentadoria precoce aos 23 anos, mesmo sendo campeão da Copa do Mundo de slalom em 2023.

Sua reestreia pelo Brasil ocorreu na temporada 2024/2025, quando passou a conquistar pódios importantes na Copa do Mundo de esqui alpino. Entre os resultados estão medalhas em etapas como Adelboden, Kranjska Gora, Kitzbühel e Hafjell, além de um pódio em Beaver Creek.

Na temporada seguinte, chegou aos Jogos de Inverno entre os principais nomes do circuito, com sequência de resultados entre os primeiros colocados, nove provas consecutivas no top 5 e posição de destaque no ranking mundial das provas técnicas de slalom e slalom gigante.

Promessa cumprida nos Jogos

Antes da Olimpíada, Lucas demonstrava entusiasmo com a oportunidade de representar o país. “Estou na Áustria me preparando para os Jogos Olímpicos e eu só queria compartilhar que eu mal posso esperar para representar nossas cores nos Jogos Olímpicos e carregar a nossa bandeira na cerimônia de abertura em Milão”, afirmou.

Ele também destacou a ambição brasileira na competição: “É uma honra imensa e eu sou muito grato por essa oportunidade. O Brasil não está aqui para participar, o Brasil está aqui para fazer a diferença. Estamos juntos, vamos Brasil”.

A medalha superou o melhor resultado do país até então, o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006, e colocou o esqui alpino brasileiro no topo olímpico pela primeira vez.

O ouro veio após Lucas registrar o melhor tempo mesmo em uma segunda descida mais rápida, confirmando o favoritismo construído ao longo da temporada.

Influência do Brasil na trajetória

Apesar de ter sido formado esportivamente na Europa, Lucas afirma que a paixão pelo esporte nasceu durante as viagens ao Brasil, especialmente em Campinas, onde jogava futebol com amigos em quadras do bairro.

“Eu adorava tanto, sabe? Dos momentos mais especiais para mim eram quando eu ia ao Brasil e jogava futebol”, contou. “Não havia um sistema, não havia uma organização que colocava algumas restrições. É só você jogando com os seus amigos”. Segundo ele, “foi aí que o meu amor pelo esporte nasceu mesmo”.

Lucas Pinheiro Braathen
Lucas Pinheiro Braathen na infância. Foto: Reprodução

Fã de Ronaldinho e Ronaldo Nazário — com quem já se encontrou —, torcedor do São Paulo Futebol Clube por influência de um primo e admirador da música brasileira, o atleta mantém hábitos ligados ao país, como ouvir samba e bossa nova antes das provas.

Foto colorida de Lucas Pinheiro Braathen com camisa do São Paulo - Metrópoles
Lucas Pinheiro Braathen com a camisa do São Paulo. Foto: Reprodução

Ele também costuma surfar no Rio de Janeiro, passear por Ilhabela e visitar churrascarias sempre que retorna. “Quando venho para o Brasil, quero voltar a ter a sensação de quando era criança”, disse. Em tom bem-humorado, chegou a brincar nas redes sociais pedindo que Erling Haaland jogue no clube paulista.

Vida pessoal e identidade multicultural

Conhecido pelo estilo extrovertido, pelas roupas coloridas e pela ligação com ritmos tropicais, Lucas também vive um momento especial fora do esporte. Ele namora a atriz Isadora Cruz, protagonista da novela “Coração Acelerado”, o que ampliou sua conexão com diferentes regiões brasileiras e com a cultura nordestina.

Namorada de Lucas Pinheiro, Isadora Cruz comemora ouro olímpico
Lucas Pinheiro e sua namorada, a atriz Isadora Cruz. Foto: Reprodução

“Mas eu sou um paulista, né. Então eu tenho sotaque de São Paulo. Quando eu visito a Isa aqui no Rio de Janeiro, eu viro meio carioca. Mas agora que eu conheci João Pessoa, visitando a família dela, estou falando ‘oxe’, ‘oxente’. Nossa, o meu sotaque está uma bagunça. Eu sou um norueguês, paulista, nordestino, carioca”, afirmou.

Com a conquista histórica, Lucas Pinheiro Braathen consolida uma trajetória singular no esporte mundial — marcada pela fusão entre duas culturas, pela escolha de competir pelo Brasil e por resultados expressivos na Copa do Mundo — e inaugura um novo capítulo para o país nas Olimpíadas de Inverno.

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Yurick Luz
Yurick Luz, 24 anos, é redator no DCM desde 2022. Amante do futebol, são-paulino e entusiasta do mundo automotivo.