
São Paulo prendeu 430 homens em apenas três dias por violência contra mulheres, segundo balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Do total, 45 foram detidos em flagrante, e 14 armas de fogo foram apreendidas durante ações realizadas em diferentes cidades do estado.
A ofensiva foi deflagrada pela Polícia Civil para cumprir cerca de 1.700 mandados em aberto, incluindo prisões preventivas, temporárias, por condenação e casos de descumprimento de medidas protetivas. Parte das prisões em flagrante ocorreu após denúncias feitas por vítimas ou familiares.
“Hoje começamos antes das 6 horas da manhã”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. “Até agora, estamos com 430 presos.”
O delegado-geral Artur José Dian detalhou a operação: “Foram 385 por mandado e 45 prisões em flagrante. Dentro dessas prisões em flagrante estavam indivíduos com armas de fogo”, disse. As ações ocorreram em diversas regiões do estado e integram a estratégia de combate à violência doméstica e familiar.

Impacto na proteção das vítimas
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, relacionou as prisões à prevenção de novos crimes. “Um agressor preso significa uma mulher salva, uma vida salva e mais uma família salva. A prisão é muito importante, mas continuamos no acolhimento e no encaminhamento à rede de proteção.”
Ela destacou que o feminicídio costuma ser precedido por agressões verbais, morais e físicas. “É nosso papel conscientizar essas mulheres que estão sendo agredidas para que denunciem, que confiem na polícia, que confiem no governo, porque elas nunca estarão sozinhas”, afirmou.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, delegada Cristiane Braga, ressaltou que muitos mandados foram expedidos após descumprimento de medidas protetivas. “O cumprimento de um mandado desses certamente evita a morte de uma mulher”, declarou.
Ela também chamou atenção para a subnotificação dos casos: “Cerca de 70% das mulheres vítimas de feminicídio não tinham registros anteriores de violência”.