Sara Winter, a “filha” que Damares não precisou raptar, é a cereja do bolo bolsonarista. Por Nathalí Macedo

Sara Winter nos tempos do Femen

A ministra Damares Alves – como se não bastasse todo o resto – deve nomear para a Secretaria Nacional da Mulher Sara Winter, que se auto intitula “ex-feminista” e se comporta com todos os esforços possíveis para ser o centro das atenções, construindo em si mesma um personagem que ela pretende polêmico, mas é apenas confuso e patético.

Depois de ter fundado o que, segundo ela, seria uma filial do Femen no Brasil, ela teve, literalmente, cassada sua carteirinha: perdeu o direito de usar o nome do grupo feminista ucraniano menos de um ano depois de fundar a tal filial, que contava com quinze ativistas.

Quando já não podia chamar atenção com nudez gratuita travestida de pauta de gênero – uma cópia mal executada do Femen ucraniano -, precisava encontrar outra maneira de manter-se na hype.

Marchou ao lado de Bolsonaro, posou pra foto segurando um feto, se candidatou a Deputada pelo Partido Democratas – e perdeu, coitada – e segue rondando o poder como uma mosca varejeira.

Alguém que vai de um extremo a outro com tamanha naturalidade não pode ser alguém psiquicamente saudável.

Essa mulher não sabe contra o que briga, e isso de fato pouco lhe importa: o importante é fazer barulho e ser ouvida (de modo que desconfio que o grande problema de Sara Winter deve ter a ver com carência).

Segundo sua biografia, ela é “atualmente, é uma das maiores lideranças pró-vida e pró-família do Brasil, luta contra o aborto, a ideologia de gênero, as drogas, a doutrinação marxista, contra a jogatina e a prostituição”.

Risos.

Quando uma mulher confusa precisando desesperadamente de aprovação encontra uma legião de falsos moralistas precisando desesperadamente de uma figura que conglomere, dentre as mulheres, todas as suas posições retrógradas, o resultado é Sara Winter: uma experiência social no mínimo sinistra.

Acontece que a escolha não foi das melhores – como outras escolhas deste governo: a ex-feminista nunca foi respeitada nem pelas feministas, nem pelas anti-feministas.

Que mulheres direitistas se prestam a vincular sua imagem à de Sara Winter?

Não orna, porque o modelo de mulher da extrema-direita é bela, recatada e do lar, características que Sara, sempre com ares de adolescente desesperada, não cultiva muito.

Seguindo os passos de Damares – a mestre do pé de goiabeira e seu diploma bíblico -, a “ex-feminista” também inventa títulos que só existem na sua cabeça.

No Twitter, ela é formada em Relações Internacionais, pós-graduada em crimes contra a administração pública e conferencista internacional. Em sua ficha cadastral do Partido Democratas, sua escolaridade consta como “ensino superior incompleto”.

Que feio, amiga.

O mais engraçado nisso é que justamente a extrema-direita, que demonstra um ódio sem precedentes pela Universidade Pública, pela ciência e conhecimento de modo geral, inventa diplomas bíblicos e imaginários para se sentir pertencente à comunidade acadêmica que tanto parecem desprezar.

Se Damares, Sara ou quaisquer desses anti-universidade pudessem ao menos arriscar pra que serve uma Universidade, não diriam que serve para produzir conhecimento, e sim para legitimar crenças – mas não conhecem, estão ocupados com seus odes à ignorância, porque qualquer fresta de conhecimento seria capaz de arrancá-los de sua esquizofrenia.

Num governo que já tem ator pornô, pastora e juiz imparcial, Sara Winter é só a cereja do bolo.

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