
As primeiras imagens de satélite após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro indicam um padrão de destruição concentrado e seletivo em alvos estratégicos. Os registros foram divulgados pela empresa americana Vantor e mostram danos principalmente no complexo militar do Forte Tiuna, na região sudoeste de Caracas.
Segundo as imagens, o Forte Tiuna foi o principal foco da ofensiva. Foi dali que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido retirados por forças especiais da unidade Delta Force no sábado (3). Comparações com fotos de dezembro mostram edifícios específicos destruídos ao lado de outras estruturas intactas, o que sugere o uso de munição de precisão.
Analistas militares apontam que os ataques podem ter sido realizados por caças furtivos F-35 ou F-22, empregados na chamada Operação Determinação Absoluta. O Forte Tiuna é considerado uma vila militar fortificada, construída em área de morros e equipada com uma rede de túneis.
No local ficam o Ministério da Defesa e o Comando Geral do Exército venezuelano. De acordo com imagens georreferenciadas, foi desse complexo que Maduro e Cilia Flores foram levados.
A informação foi confirmada pelo dirigente chavista Nahum Fernández em declaração à agência Associated Press. Vídeos gravados por moradores de Caracas mostram intensa atividade militar na região, incluindo um helicóptero de ataque disparando mísseis Hellfire, seguido de grandes explosões.
Embora o Forte Tiuna tenha sido o centro da ação, os ataques se espalharam por outras áreas do país. A ofensiva expôs a fragilidade do sistema de defesa antiaérea venezuelano, que até então era considerado um dos mais robustos da América Latina, montado durante o governo de Hugo Chávez com equipamentos russos e chineses.
Satélite mostra destruição em bunker de Maduro
Fonte: Folha de S. Paulo pic.twitter.com/2XPwH040f1
— 0123 (@GuilhermeA52629) January 4, 2026
A ausência de resposta efetiva das defesas, somada à rápida acomodação do governo dos EUA com setores remanescentes do chavismo, levantou a hipótese de um acordo prévio para viabilizar a entrega de Maduro. Ainda assim, os EUA destruíram ativos considerados estratégicos, indicando que a operação não foi isenta de riscos.
Entre os danos confirmados, imagens mostram a destruição de uma bateria russa Buk-M2E na base aérea de La Carlota, em Caracas, e outra em Higuerote, no litoral. Cada sistema tem custo estimado em cerca de R$ 500 milhões. O porto de La Guaira, onde havia unidades adicionais, também foi duramente bombardeado.
Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a Venezuela possuía nove baterias Buk-M2E e 44 sistemas Pechora, além de 12 unidades do S-300VM, considerado o principal pilar da defesa aérea do país. Não há confirmação de que algum S-300 tenha sido destruído ou sequer utilizado durante a operação.
Especialistas avaliam que aeronaves de guerra eletrônica EA-18G Growler podem ter neutralizado os radares venezuelanos, impedindo a atuação das defesas e abrindo um corredor seguro para helicópteros das forças especiais. O Pentágono afirmou que cerca de 150 aeronaves participaram da ação.
Também permanece incerto o destino da frota aérea venezuelana, composta por caças F-16 e Sukhoi Su-30MKV. Há relatos não confirmados de que ao menos sete aeronaves teriam sido destruídas após ataques a aeródromos, mas até o momento não há confirmação independente sobre a extensão dessas perdas.