Se administrar o ritmo dos pacotes de seus donos, Temer pode terminar o mandato. Por Donato

Eles
Eles

 

O filósofo e cientista político Marcos Nobre concedeu uma entrevista ao El País, veiculada no último domingo, na qual versa por vários ângulos sobre o governo Temer e sua iminente derrocada.

Preciso e certeiro como de costume, Nobre já havia cravado lá em 2015: “O impeachment, do ponto de vista do sistema político, é uma estratégia de autodefesa contra a Lava Jato. Esse é o objetivo.” Hoje ninguém mais duvida da intenção original.

Agora, o cientista político transita pela importância da disputa da presidência da Câmara num cenário de ‘salve-se quem puder’, acredita que sem o PSDB o governo Temer afundará pois tanto ele quanto seu PMDB não sabem ser outra coisa além de base, mas não faz um prognóstico em vista do racha interno no ninho tucano.

Alckmin é (está) forte mas está em minoria contra Serra e Aécio. Afirma que Lula permanece um nome com grandes possibilidades de eleição, mas seu futuro incerto devido ao mar de acusações transforma-o num curinga fora do baralho momentaneamente.

Ele é da opinião (acertada mais uma vez a meu ver) de que a esquerda está sem agenda, sem pauta, nem projeto e em suspensão no aguardo pelo desfecho de Lula. O país assim, continua ‘sem horizonte’, como gosta de dizer.

“A política, como funcionou desde 1994, não existe mais. Os polos coordenadores (PT e PSDB) estão fraturados e o centro, que sempre foi responsável por apoio parlamentar e conquista de votos, está desnorteado com a Lava Jato. Ninguém sabe até onde ela vai e nem quanto ela acaba”, disse Marcos Nobre.

Se a Lava Jato teve início com um propósito bem definido, os efeitos da operação ainda não são mensuráveis nem estão mais sob controle. O juiz Sergio Moro quer dar linha na pipa — vem sinalizando que gostaria de se mudar para os Estados Unidos no próximo ano — e Nobre vê perigo caso o Supremo Tribunal Federal não esteja preparado para receber a avalanche que ainda está por vir.

“O STF terá problemas pela frente. No momento em que a Corte e as instâncias superiores foram concordando com os procedimentos controversos da Lava Jato, passaram a mensagem de que esse procedimento vale lá também. Como o STF vai fazer para julgar tudo o que vai chegar lá no ano que vem? O risco é que o sentimento de insatisfação que virou contra o Renan, que pode virar contra o Temer, também pode virar contra o STF (…) Acho que o STF vai receber uma bola de Curitiba que não está preparado para lidar.”

Marcos Nobre não é mensageiro do apocalipse, apenas um excelente observador. O que talvez tenha sido pouco — ou nada — abordado na entrevista é uma análise de como o empresariado (o verdadeiro patrocinador do golpe) irá receber a ideia de derrubar Temer.

O ex-vice-decorativo vem se empenhando em atender os interesses e acordos feitos previamente com a turma do patronato.

As medidas que arrocham o trabalhador, que cassarão direitos, que irão esfolar a pele do povo e obrigá-lo a trabalhar por mais tempo, ganhando menos e pagando mais, vão ser aprovadas a toque de caixa. A própria PEC do teto de gastos nada mais é do que um terrorismo para empurrar as demais medidas goela abaixo e manter o Brasil na condição de paraíso dos banqueiros e demais rentistas.

O empresariado tem outro nome majoritariamente aceito para substituir o pai de Michelzinho? Se administrar bem o ritmo dos pacotes pró-patrão, Temer pode chegar ao fim do mandato?

 

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!